quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

John Williams - 80 Anos



Renato Cordeiro

Indiana Jones, Guerra nas Estrelas, Tubarão, Superman - O Filme. A menos que você seja de outro mundo, certamente conhece o tema de pelo menos um destes longas-metragens. É essa a medida do sucesso do maestro John Williams: a capacidade de usar a música para amplificar o caráter clássico de determinadas produções.

Na verdade, vale dizer que as composições deste novaiorquino tem vida própria, para além da mera apreciação na banda sonora de um filme. Basta lembrar que a partitura para Superman - O Filme é considerada definitiva, além de ser obrigatória em qualquer peça audiovisual dedicada ao herói dos quadrinhos. O mesmo acontece com vários personagens icônicos do cinema, a exemplo do Darth Vader de Guerra nas Estrelas. Uma das explicações para este fenômeno é o uso do leitmotiv, uma ferramenta muito usada por aquele que é considerado a grande fonte de influências de Williams, Richard Wagner, para associar diretamente músicas e personagens. O termo aqui é muito associado ao chamado "motivo", que a grosso modo seria um trecho sempre repetido na composição, demarcando a presença de um personagem ou situação. Como aquela música de Tubarão, executada sempre que o filme sugere que o bicho está por perto.

John Williams é também um admirador do trabalho de Bernard Herrmann, que escreveu vários dos temas de Hitchcock. Não por acaso, quando Herrmann já havia morrido e Hitchcock estava cuidando do último filme, Trama Macabra, Williams ficou encarregado dos temas. Ele ainda trabalhou com outros cineastas consagrados, como Oliver Stone, Brian de Palma e Jean-Jacques Annaud. Mas, claro, foi com o diretor Steven Speilberg que ele fez uma das parcerias mais prolíficas já vistas na sétima arte, tornando impensável separar as carreiras dos dois profissionais.

Abaixo e também no site da Educadora FM você confere um programa de rádio produzido por este cinéfilo, com uma amostra da obra monumental do mestre que faz 80 anos neste dia 8 de fevereiro.













terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Millenium: Os Homens Que Não Amavam as Mulheres


Millenium: Os Homens Que Não Amavam as Mulheres
(The Girl With the Dragon Tatoo, EUA/Alemanha/Reino Unido/Suécia, 2011). Direção de David Fincher. Com Daniel Craig, Rooney Mara, Christopher Plummer, Stellan Skarsgard, Robin Whright, Goran Visnjic.


Bee

É incrível como certas circunstâncias fazem com que a gente descubra que não está livre de preconceitos. Quando a trilogia Millenium de Stieg Larsson começou a pipocar nas livrarias, eu fiquei bastante curiosa. Primeiro por ser um best seller, segundo por talvez quem sabe conter alguma conexão com o seriado homônimo, do qual muitas pessoas que são referência na minha vida gostavam. E aí um belo dia em uma viagem para São Paulo, me encontro com uma amiga dessas de coração mesmo, que ama livros, inteligente, etc, etc. E ela comenta que ganhou o primeiro, começou a ler, achou legal, mas que não era lá essas coca-cola todas não.

E bum! Minha curiosidade pelo livro acabou sem eu nem mesmo saber de verdade do que se tratava. Vitória da afinidade!

E agora, sai o filme. Mas não é só um filme. Ele é dirigido pelo D-Ê-I-V-I-D-I-F-I-N-C-H-E-R, uma dessas pessoas que eu agradeço todos os dias que existem só porque ele dirigiu Fight Club. Minto, era também porque eu já tinha assistido sete filmes dele, e não tinha desgostado de nenhum. Tinha coisas melhores e piores, mas Fight Club era o diamante brilhando no meu cérebro. E olha! Eu também tinha achado o trailler interessante, coisa que hoje em dia é cada vez mais raro. E ainda tinha o novo James Bond Daniel Craig, então ele já tinha elementos o suficiente para que eu quisesse assisti-lo.

E aí... Eu fui. E gostei muito!!!

Não é o muuuuuuuito, como eu gosto de muitos filmes clássicos e marcantes, como o próprio Fight Club. É o muito de alguém que não olhou para o relógio nenhuma vez, que ficou tensa, que gostou da história, da trilha sonora, da interpretação, do elenco, da fotografia e principalmente do que é na verdade o carro chefe da história: a personagem Lisbeth Salander. Dito isso, vamos ao filme propriamente.

Primeiro quero ressaltar que inicialmente eu achei a escolha da tradução do nome do livro medonhamente assustadora. Porque transformar The Girl With The Dragon Tatoo em Os Homens Que Não Amavam as Mulheres me pareceu excessivamente doente, uma dessas ações desenfreadas do povo do marketing querendo chamar um público alvo diferente. Até que eu descobri que esse é mesmo o nome original em sueco: Män som hatar kvinnor, que chega a ser até pior, traduzindo-se como "Os homens que odiavam as mulheres". Uma coisa que me chamou a atenção logo no início foi ver que ao lado da informação de que o filme se baseava em um livro, vinha também a editora original do mesmo, e eu não me lembrava de ter visto isso nunca na minha vida nos créditos de um filme. Outra foi perceber que o filme - hollywoodiano - não se passava nos Estados Unidos e sim na própria Suécia, conforme a história original. Isso foi realmente uma surpresa agradável.

Sem querer falar muito sobre a história, Os homens que não amavam as mulheres é um mistério "moderno", em que os personagens se utilizam da tecnologia disponível hoje para levantar informações, coletar e processar pistas sobre um crime que ocorreu muitos anos no passado, de uma forma que não é surreal nem tampouco insulta nossa inteligência. A fotografia é muito bem utilizada, e a trilha sonora também, misturando a música com os sons do ambiente, como o vento ou o barulho do aspirador de pó.

A história em si é interessante o suficiente, mas é na tensão e na construção dos personagens que o filme arrebata - especialmente em nos mostrar quem é Lisbeth Salander (Mara), uma jovem sob a tutela do estado, brilhante e desajustada, que se torna uma das investigadoras do caso. A narrativa paralela alternando Lisbeth e Mikael Blomkvist (Craig), um jornalista em desgraça por publicar acusações não comprovadas sobre um grande empresário, é muito eficaz, e ouso dizer - se é que aprendi alguma coisa sobre cinema com Renato Cordeiro, Daniel Fróes e as críticas de Pablo Villaça - que talvez a melhor coisa do filme seja a edição. Pois é exatamente a montagem das cenas que faz com ele que funcione de uma forma tão interessante, em que o tempo é muito bem administrado para não torná-lo um filme chato. Chamo a atenção também para a direção de arte que retrata bem as diferenças entre os personagens nos ambientes que os rodeiam e para a ótima condução do elenco de apoio. Adorei a participação de Stellan Skarsgard (e não apenas por ele ser o pai de Alexander Skarsgard, embora isso ajude). Enfim, é um filme que me conquistou.

Fincher é um cara que tem intimidade com a tensão e não deixa nada a desejar. Usando boas ferramentas a seu dispor, uma história interessante e bons atores, ele nos presenteia com essa obra, que me fez rever meus preconceitos e me deixou com vontade de ler a trilogia. Pena que a minha próxima década já está comprometida com a leitura das Crônicas de Gelo e Fogo. E que algumas críticas de outras pessoas bastante relevantes que leram o primeiro livro me desanimaram para o segundo.

Frase do filme:
Lisbeth Salander: May I kill him?

Pra ver:
Final de semana sem pressa, balde de pipoca, sala boa - de preferência com o som muito bom, vai valer a pena.










sábado, 28 de janeiro de 2012

Archetype




Curtametragem sci-fi que vem fazendo relativo sucesso entre os nerds, Archetype tem direção de Aaron Sims, que não é exatamente um amador. Ele já trabalhou com artes conceituais e design de personagens em longas como O Planeta dos Macacos - A Origem, O Incrível Hulk e Peixe Grande e Suas Histórias Maravihosas. Archetype, terceiro curta da carreira, tem ares de carta de intenções de um novo cineasta pop com ares de Distrito 9.











sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne


As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne
(The Adventures of Tintin: The Secret of the Unicorn, EUA, 2011) Direção de Steven Spielberg. Com Jamie Bell, Andy Serkis, Daniel Craig, Simon Pegg, Nick Frost, Cary Elwes, Toby Jones, Tony Curran, Sebastian Roché, Mackenzie Crook.



Renato Cordeiro

Depois de produzir a bomba Cowboys e Aliens e dirigir o piegas Cavalo de Guerra, Steven Spielberg volta a desperdiçar o talento, desta vez em um longametragem até promissor, já que tem tudo a ver com o memorável início de carreira do cineasta que se notabilizou por aventuras fantásticas. A adaptação dos quadrinhos de Hergé chega a lembrar os filmes de Indiana Jones, com as cenas de ação com humor pastelão, os cenários internacionais e a trama do tipo gincana, que pode ser divertida se não se concentrar em uma sucessão de McGuffins.

Ok, vamos às apresentações. Para quem não conhece, McGuffin é um termo inventado por Alfred Hitchcock para definir aquele objeto ou tarefa que é importante para o protagonista e ajuda a mover a história. Um exemplo muito citado é a mala de conteúdo misterioso a ser recuperada por John Travolta e Samuel L. Jackson em Pulp Fiction. O objeto nem precisa necessariamente ser importante para a trama ou ter muitas explicações, desde que cumpra o papel de manter o personagem na trama. E no caso de Tintin, há, de certa forma, três Mcguffins, que são partes de um mapa do tesouro que ele busca encontrar.

Nada contra a trama gincana, desde que não fique tão em primeiro plano. O que torna Indiana Jones e A Última Cruzada tão divertido não é a procura pelo Cálice Sagrado, mas a relação entre o herói e o pai, uma interação que vai se desenvolvendo em paralelo à busca pela relíquia. E apesar de contar com um bom coadjuvante que faz as vezes de alívio cômico, em Tintin temos a gincana pela gincana, o que pode deixar o espectador sentindo que está sendo jogado de um lado para o outro, sem que nada importante esteja, de fato, avançando.

Do ponto de vista técnico, claro, As Aventuras de Tintim é irrepreensível. Os créditos de abertura, muito bons, lembram bastante o começo de Prenda-Me Se For Capaz. Se trata-se de uma animação com captura de movimentos, até então considerado um termo equivocado pela chamada "Academia de Hollywood", este cinéfilo não entrará na discussão. Mas é fato que as cenas criadas no filme dão vazão ao gênio de Spielberg em criar belas imagens, como a ótima perseguição em uma Marrocos cheia de ladeiras e possibilidades. Bem que a música de John Williams poderia ser mais vibrante.

Nota: 5.0 (de dez)











quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Missão Madrinha de Casamento


Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids, EUA, 2011). Direção de Paul Feig. Com Kristen Wiig, Terry Crews, Jessica St. Clair, Maya Rudolph, Tom Yi, Elaine Kao, Michael Hitchcock, Kali Hawk, Joe Nunez, Rebel Wilson, Melissa McCarthy.


R. Dantas

Tive uma epifania outro dia. Talvez minha missão seja ver filmes com potencial bagaceira e salvar você, incauto leitor, de perder preciosas horas de sua vida.

Missão Madrinha de Casamento é um filme sobre a loucura que acomete as mulheres, sejam noivas ou não, na iminência do dia mais importante de suas vidas (?!). Kristen Wiig é Annie, madrinha de casamento e amiga de infância de Lilian (Maya Rudolph). Annie é pobre, dona de uma confeitaria falida, não tem namorado e divide apartamento com dois irmãos esquisitos. Impossível sentir alguma identificação com ela, as situações em que se coloca – como dançar desajeitadamente na frente de um policial ou falar de seus problemas pessoais com os clientes da joalheria onde trabalha de favor – são ridículas e umas duas vezes senti tanta vergonha que quase parei de ver o filme, mas fiquei com preguiça de levantar da cama.

Os problemas começam quando Annie conhece a mais nova amiga – rica e linda – de Lilian. Annie, como madrinha, deveria ser responsável por organizar desde o chá de panela até o casamento, mas o fato de não ter grana e ser meio desajustada a impede de desempenhar com sucesso seu papel, lugar que Helen (Rose Byrne) assume com prazer e um certo desdém pela amiga pobre de Lil.

Então somos apresentados à amiga gorda e desajeitada que arrota e peida em público e diante de uma intoxicação alimentar não hesita em usar a pia do banheiro da loja chique como vaso sanitário. A casada, infeliz com a família que construiu e que tenta desesperadamente reaver o tempo perdido. A moça que casou cedo e só teve um homem na vida, que só faz sexo no escuro e debaixo das cobertas. E temos a noiva, tão sem brilho que quase esqueci dela.

Missão Madrinha de Casamento tenta com afinco ser engraçado, mas falha horrivelmente. As situações não são plausíveis, o elenco não é carismático e eu só conseguia pensar que Annie é severamente destituída de suas faculdades mentais.

Se houvesse mais cenas como a da mulher vomitando na cabeça da outra talvez fosse até engraçado. Eu sei que humor escatológico é forçar a amizade, mas essa foi a única vez em que ri alto vendo o filme.

Vale mencionar o policial Nathan Rhodes (Chris O'Dowd), o bom moço que com seu maravilhoso senso de humor quase salva o filme. Quase.










quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

35 Movies in One Minute


Ótima sacada. O vídeo reúne vários elementos visuais diretamente relacionados a longas-metragens de Alfred Hitchcock, Steven Spielbeg e Martin Scorsese, entre outros. A brincadeira leva o nome 35 Movies in One Minute. O desafio é descobrir todas as produções mencionadas.

Dica de Davi Boaventura, do Cachorro Abandonado.






segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Mr. Holland - Adorável Professor


Mr. Holland - Adorável Professor (Mr. Holland's Opus, EUA, 1995). Direção de Stephen Herek. Com Richard Dreyfuss, Glenne Headly, Jay Thomas, Olympia Dukakis, William H. Macy, Alicia Witt, Terrence Howard, Damon Whitaker, Jean Louisa Kelly, Forest Whitaker.


Renato Cordeiro

Richard Dreyfuss engrandece e torna bem melhor um filme que estava destinado a ser apenas uma diversão passageira. O longametragem, ainda que não seja espetacular, é competente, com direção correta, roteiro sem furos e, como tinha de ser em um projeto como esse, boa trilha sonora. Mas o trunfo é mesmo o desempenho comovente do ator principal, que dá veracidade a Mr. Holland - Adorável Professor e rendeu uma merecida indicação ao Oscar.

Uma das principais diferenças entre este filme e tantas produções que tratam da dura vida dos professores é que não temos aqui um recorte episódico da carreira do protagonista. Em vez disso, acompanhamos a trajetória do jovem compositor Glenn Holland, que por causa de dificuldades financeiras resolve ensinar música em uma escola. A princípio, ele abraça a atividade apenas como um emprego temporário, mas acaba se mantendo no trabalho e começa a se afeiçoar à profissão, entre realizações e frustrações, em passagens pontuadas por alunos que o cativam e que por ele são cativados.

Como sempre, este cinéfilo não entregará spoilers, mas chama a atenção para os dez minutos finais. Praticamente sem falas, Richard Dreyfuss consegue transmitir perfeitamente as emoções do educador, tornando aceitável um desfecho que exagera um pouco no sentimentalismo. Outro ponto alto é aquele no qual Holland explica aos alunos a desafiadora história de Beethoven, momento embalado pela Sétima Sinfonia e potencializado por uma triste notícia que impacta sobre a vida pessoal do professor.

Vale mencionar o bom trabalho de maquiagem que torna convincente a marca do tempo sobre o personagem-título. A montagem sóbria insere cenas históricas responsáveis por facilitar a compreensão da passagem do tempo e cenas como aquela que se passa em um cemitério. No bom elenco de apoio, que traz William H. Macy, Terrence Howard e rápida aparição de Forest Whitaker, o destaque é a veterana Olympia Dukakis, que vive a diretora da escola. De quebra, canções de John Lennon.

Nota: 7,0 (de dez)










quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Planeta Terror


Planeta Terror (Planet Terror, EUA, 2007). Direção de Robert Rodriguez. Com Freddy Rodríguez, Rose McGowan, Marley Shelton, Naveen Andrews, Josh Brolin, Michael Biehn, Jeff Fahey, Bruce Willis, Michael Parks, Jerili Romeo, Stacy Ferguson, Tom Savini, Carlos Gallardo, Quentin Tarantino, Michael Parks.


Renato Cordeiro

A idéia básica do projeto Grindhouse, de Robert
Rodriguez e Quentin Tarantino, é bem interessante: recriar a experiência setentista de assistir filmes de segunda em cinemas de terceira. Ao longo de Planeta Terror, o segmento dirigido por Rodriguez, as imagens apresentam defeitos clássicos de filmes desgastados, além de buracos na narrativa que simulam remendos nas fitas de rolo da época. As salas de exibição aqui em Salvador chegaram a ter problemas com alguns espectadores desavisados.

A produção é caprichada, e o elenco, estelar e adequado à proposta do projeto. Além de Bruce Willis, que faz uma participação especial, muitos vão reconhecer o ator Naveem Andrews, o Sayid da série Lost. Infelizmente, depois da primeira metade de projeção, os rostos estrelados pouco podem fazer para impedir que Planeta Terror se torne previsível e maçante.

O esquema básico dos filmes de zumbi está presente no longa, com desconhecidos que precisam se unir para sobreviver a uma horda de desmortos. Mas falta recheio. A refilmagem de Madrugada dos Mortos, por exemplo, conquista pela exploração do drama de seus heróis. Já Todo Mundo Quase Morto parodia, com sobriedade britância, os elementos clássicos do gênero. Quanto a Planeta Terror, tenta se apoiar em escatologias e non-sense. Uma piada que não tem fôlego pra seus 107 minutos.

Nota: 5,0 (de dez)

(escrita originalmente em 25 de dezembro de 2007)










quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Blade Runner Sketchbook


Blade Runner, filme policial futurista dos anos 80, é considerado um dos melhores trabalhos da carreira irregular de Ridley Scott. O longa, inspirado em romance de Phillip K. DIck, também ajudou a consolidar a trajetória do ator Harrison Ford, que faz um detetive com todo o jeitão de filme noir. Para quem gosta desta ficção ou mesmo aprecia design, uma dica é conferir um site que oferece, online, uma versão do livro Blade Runner sketchbook.

O trabalho reúne vários desenhos de produção assinados por Syd Mead, Charles Knode, Mentor Huebner, Michael Kaplan e o próprio Ridley Scott. Mais informações aqui.











terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras


Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras (Sherlock Holmes: A Game of Shadows, EUA, 2011). Com Robert Downey Jr., Jude Law, Jared Harris, Noomi Rapace, Stephen Fry, Kelly Reilly, Geraldine James, Rachel McAdams, Eddie Marsan, Paul Anderson.


Renato Cordeiro

É bem verdade que Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras supera o primeiro filme, mas isso não quer dizer que se trate de um trabalho muito melhor. A sequência mantém a trama rasa, cenas de luta por vezes confusas e a interação entre Downey Jr. e Law continua marcada por diálogos rápidos que parecem tentar mascarar as falas de qualidade irregular. Por outro lado, entre os pontos positivos, o longa consegue um feito um tanto incomum, que é melhorar ao longo da segunda metade.

A curva ascendente de O Jogo das Sombras acontece, entre outros motivos, por uma aposta na própria mitologia da cinessérie, ainda no segundo capítulo. Já sabemos que o roteiro terá várias cenas em flashback que mostrarão como Sherlock Holmes premedita as ações e sabota as dos adversários, e o longa consegue apresentar estas passagens de forma ainda mais divertida, a exemplo de uma passagem dentro de um trem.
Essa idéia também rende um bom momento no final do filme, quando as expectativas do protagonista são quebradas diante do seu arquiinimigo, Moriarty, vivido com adorável fleuma britânica pelo ótimo Jared Harris.

Sem entregar detalhes do filme, vale apontar que é também no final que acontece a melhor utilização de um recurso típico do cinema de Guy Ritchie, o voice over, quando a narração dos atores conduz a apresentação de uma cena da qual não participam. A qualidade das interpretações e a edição correta garantem o sucesso da passagem, marcada por uma tensão crescente. Por outro lado, Ritchie escorrega em certos maneirismos. Um deles,
próprio da franquia, é a adoção de câmera lenta e som distorcido, que tem como exemplo a fuga dos heróis por um bosque onde são atacados até por tiros de morteiros, lembrando muito a correria de Downey Jr. em meio a uma série de explosões no longametragem anterior.

E se estamos falando de um filme com um autêntico Sherlock Holmes, cabe uma discussão à parte. A caraterização continua sendo a de uma espécie de James Bond vitoriano, mas isso não é necessariamente algo que deprecia O Jogo das Sombras, que poderia ser fiel aos livros de Conan Doyle e continuar sendo uma diversão esquecível. E falando em diversão, destaque para a cena de Downey como um relutante cavaleiro, com direito a uma trilha que remete ao tema de Ennio Morricone para Os Abutres Têm Fome.

Nota: 5,0 (de dez)