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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Christopher Lee - 90 anos


Daniel Fróes

O ator britânico Christopher Lee completou no último dia 27 nada mais nada menos que 90 anos de idade. Segue aqui uma nano retrospectiva da carreira do ator.

Primeiro, o rapaz mantêm o recorde do Guiness de mais aparições em créditos de filme na história. Não é pouca coisa. Na sua lista de filmes do IMDB (Internet Movie Database - imdb.com) constam 276 filmes, sendo que alguns estão EM ANDAMENTO (ele vai ser Saruman em O Hobbit).

Pra aumentar seu nível de awesomeness, ele é cantor, e no dia do seu aniversário lançou uma música de Heavy Metal intitulada Let legend mark me as the King (ele lançou um disco de Heavy Metal em homenagem a Carlos Magno, By the Sword and the Cross, em 2010).

Sua primeira atuação no cinema foi em 1947, e ficou famoso por trabalhar em filmes de terror, como no papel de monstro no filme The curse of Frankenstein (1957), no papel de Drácula no filme Horror of Dracula (1958), no papel de múmia em The Mummy (1959).

Já interpretou Sherlok Holmes, Mefistófeles e Lúcifer (o diabo), piratas, vampiros, condes, reis, vilões orientais, Dr. Jekyll, inimigo de James Bond (O Homem com a Pistola de Ouro), Rasputin, e até mesmo Morte, do universo de Discworld (num curta-metragem). Ele trabalhou em filmes de horror e terror, em comédias, em épicos, filmes de aventura, de ação, de espionagem.

Seus trabalhos mais aclamados recentemente foram nas trilogias Senhor dos Anéis e Guerra nas Estrelas (a nova trilogia). No primeiro, ele interpretou Saruman, o branco. No segundo, o famigerado conde com nome dúbio. Trabalhou em cinco filmes de Tim Burton, incluindo o novo Dark Shadows, e voltará a interpretar Saruman, como dito acima, em O Hobbit.

Ele também é bastante procurado para ser ator de voz de diversos personagens (de filme e video game), tendo cantado em duas trilhas sonoras distintas (The Wicker Man e The Return of Captain Invincible).

O rapaz também é Cavaleiro da Rainha da Inglaterra, tendo recebido a Ordem do Império Britânico em 2001.

Vale dar uma olhada na página dele da Wikipedia.

E não, ele não é parente de Stan Lee. Ou Rita Lee. Ou Bruce Lee.

Parabéns, Sir!










quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

John Williams - 80 Anos



Renato Cordeiro

Indiana Jones, Guerra nas Estrelas, Tubarão, Superman - O Filme. A menos que você seja de outro mundo, certamente conhece o tema de pelo menos um destes longas-metragens. É essa a medida do sucesso do maestro John Williams: a capacidade de usar a música para amplificar o caráter clássico de determinadas produções.

Na verdade, vale dizer que as composições deste novaiorquino tem vida própria, para além da mera apreciação na banda sonora de um filme. Basta lembrar que a partitura para Superman - O Filme é considerada definitiva, além de ser obrigatória em qualquer peça audiovisual dedicada ao herói dos quadrinhos. O mesmo acontece com vários personagens icônicos do cinema, a exemplo do Darth Vader de Guerra nas Estrelas. Uma das explicações para este fenômeno é o uso do leitmotiv, uma ferramenta muito usada por aquele que é considerado a grande fonte de influências de Williams, Richard Wagner, para associar diretamente músicas e personagens. O termo aqui é muito associado ao chamado "motivo", que a grosso modo seria um trecho sempre repetido na composição, demarcando a presença de um personagem ou situação. Como aquela música de Tubarão, executada sempre que o filme sugere que o bicho está por perto.

John Williams é também um admirador do trabalho de Bernard Herrmann, que escreveu vários dos temas de Hitchcock. Não por acaso, quando Herrmann já havia morrido e Hitchcock estava cuidando do último filme, Trama Macabra, Williams ficou encarregado dos temas. Ele ainda trabalhou com outros cineastas consagrados, como Oliver Stone, Brian de Palma e Jean-Jacques Annaud. Mas, claro, foi com o diretor Steven Speilberg que ele fez uma das parcerias mais prolíficas já vistas na sétima arte, tornando impensável separar as carreiras dos dois profissionais.

Abaixo e também no site da Educadora FM você confere um programa de rádio produzido por este cinéfilo, com uma amostra da obra monumental do mestre que faz 80 anos neste dia 8 de fevereiro.













sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Serkis ao Oscar


Renato Cordeiro

Boa parte das críticas a respeito do remake O Planeta dos Macacos - A Origem, de 2011, destacou a qualidade da expressão corporal de Andy Serkis, que deu vida ao símio César através de recursos de captura de movimento. Até concordo que há um trabalho de atuação e, importante dizer, muito bom. Mas daí a dar a ele um Oscar de Melhor Ator, como tem defendido a campanha da Fox, é um tanto demais.

Não se trata de desqualificar o trabalho do sujeito, mas de discutir a natureza do mérito, que não é a mesma de uma atuação tradicional. Qual o limite entre o desempenho do ator e o que vemos em cena, após toda a imersão de recursos eletrônicos? Afinal de contas, de alguma forma, estes efeitos também contribuem para a caracterização do personagem. Inclusive, convidaria qualquer leitor a reassistir o já clássico A Bela e A Fera, animação de 1991 que é um assombro em termos de, digamos, expressão corporal. Reparem a cena em que o pai da Bela é raptado, a maneira intensa como a protagonista entra em prantos, lembrando algumas interpretações poderosas de Bette Davis em filmes antigos como Vitória Amarga. Se um animador é capaz de fazer isso sozinho, imagine contando com a gestualística de um Andy Serkis?

É claro, alguém pode dizer que, se Nicole Kidman pode levar um Oscar em As Horas pelo nariz postiço que usou para viver Virginia Woolf, Serkis não deveria ser tirado do páreo. Este raciocínio tem que ser levado como uma brincadeira. Você pode até entrar na teoria de que Kidman recebeu uma compensação por não ter faturado a estatueta anteriormente por Moulin Rouge, mas dizer que maquiagem rende Oscar leva a inevitáveis absurdos, como afirmar que Marlon Brando trapaceou ao implantar algodão dentro da boca para viver um bochechudo Don Corleone, papel que o premiou por O Poderoso Chefão. Ou querer tomar de volta o Oscar póstumo de Heath Ledger pela insana interpretação como o Coringa em Batman - O Cavaleiro das Trevas. Maquiagem ajuda na caracterização, modifica a fisionomia, e só.

Acredito que o que acontece é que, de tempos em tempos, um profissional que não pertence a uma categoria que pode ser premiada com o Oscar simplesmente dá uma contribuição espetacular às obras das quais participa. Desde garoto, por exemplo, eu acho que deveria haver algum reconhecimento para adestradores de animais, especialmente aqueles que cuidaram dos animais vistos em Babe - O Porquinho Atrapalhado. Melhor seria então enquadrar profissionais como Andy Serkis em uma categoria à parte, que exigiria uma criteriosa avaliação dos jurados. Não que uma medida desse tipo possa ser implantada em curto prazo, por um motivo simples: Serkis é o melhor em um campo onde, praticamente, só existe ele. Mais fácil e justo seria, acredito, ceder ao ator um Oscar honorário.

Abaixo, um dos muitos vídeos que engrossam a campanha para que Andy Serkis seja indicado ao Oscar de Melhor Ator.













sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Os Mais Citados no Facebook


Renato Cordeiro


Pulp Fiction e O Fabuloso Destino de Amélie Poulain são os filmes preferidos dos meus amigos. É o que aponta uma experiência que realizei há dois dias, por pura falta do que fazer. Corri pelos perfis de facebook de 176 pessoas atrás de suas preferências em cinema, e contabilizei 427 filmes mencionados. A obraprima de Tarantino e o longa que eternizou a atriz Audrey Tatou abriram vantagem até sobre o monumento dirigido por Francis Ford Copolla, O Poderoso Chefão.

Não que a mera citação deste ou daquele longametragem seja uma representação fiel do quanto o amigo em questão foi cativado, mas o indicativo já valeria a curiosidade.
Metade dos meus amigos não tratou do assunto entre as informações pessoais. Em números mais precisos, 50,56%. A maior surpresa foi perceber que alguns cinéfilos que conheço até citaram gostos como música e programa de TV, mas não os cinematográficos. De modo geral, isso pode significar desde um desinteresse pela sétima arte até um interesse tão amplo que desencorajou aqueles com dificuldade em selecionar um punhado de nomes.

Entre os que preencheram o campo "filmes", constavam não apenas longas e diretores preferidos como também estúdios, países e gêneros, além de um evento (o DocBrazil Festival) e um blog (o Filmes com Legenda). A Pixar/Disney foi lembrada por quatro pessoas, e uma delas citou ainda a Sony Pictures Brasil. Entre os países, constam a cinematografia oriental, européia, italiana e "American & Different." Já as categorias comentadas foram comédia romântica, documentário, animação, filme noir e clássicos.

Alfred Hitchcock, Federico Fellini e Pedro Almodóvar são os preferidos entre os amigos que lembraram cineastas, levando quatro citações, cada um. Quentin Tarantino, Stanley Kubrick e Woody Allen vêm em seguida, com três. Lars von Trier segura o bronze com duas menções.

Uma necessária avaliação pessoal: não pude deixar de notar que muitos dos longas e diretores relacionados estão entre meus preferidos também. Um explicação possível é que as amizades que estabelecemos guardam uma certa comunhão de gostos. A relação dos 20 filmes mais citados vai abaixo, com o número de vezes em que apareceram.


O Fabuloso Destino de Amélie Poulain - 9
Pulp Fiction - Tempo de Violência - 9
O Poderoso Chefão - 7
Curtindo a Vida Adoidado - 6
Harry Potter (a cinessérie) - 6
Dirty Dancing - Ritmo Quente - 5
Kill Bill - 5
Laranja Mecânica - 5
A Origem - 5
Pequena Miss Sunshine - 5
Toy Story - 5
Shrek - 5
Cidadão Kane - 4
Clube da Luta - 4
Os Goonies - 4
Moulin Rouge - Amor em Vermelho - 4
Piratas do Caribe - 4
Sociedade dos Poetas Mortos - 4
Guerra Nas Estrelas - 4
Vicky Cristina Barcelona - 4

Menções honrosas: Tropa de Elite, 2001 - Uma Odisséia no espaço, Afônica (média-metragem), Alice No País das Maravilhas, Bahêa Minha Vida - O Filme, Bastardos Inglórios, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, Closer, As Horas, O Labirinto do Fauno, Ladrões de Bicicleta, A Lista De Schindler, Magnólia, Rei Leão, O Senhor dos Anéis, Star Trek, Up, V De Vingança, Zeitgeist, Transformers.










sábado, 20 de agosto de 2011

Não Vi e Não Gostei

Renato Cordeiro

Tem filmes que cheiram a coisa podre. Não é de hoje que os títulos de qualidade duvidosa chegam às salas de exibição, mas certamente é mais fácil, atualmente, prever se esse ou aquele trabalho valerá o suado dinheirinho que deixamos na bilheteria ou o tempo que investimos no dito cujo. O mesmo marketing que usa elementos tão diversos para conquistar o público pode acabar denunciando a bomba que vem pela frente, o que vale para trailers, cartazes, entrevistas e até a própria formação da equipe envolvida no longametragem.


É claro que nem sempre o que está em jogo é a qualidade da obra. Às vezes o que motiva a experiência é um aspecto mais específico. Anos atrás, As Duas Faces do Crime, considerado um policial burocrático, arrastou ao cinema quem queria mais interações entre os atores Al Pacino e Robert De Niro, que brilharam nos poucos momentos em que contracenaram em Fogo Contra Fogo. O tão falado A Serbian Film vai ter muitos espectadores apenas por causa da polêmica em torno das cenas brutais, ainda que seja considerado péssimo. Já Lanterna Verde, que chegou às salas nesta sexta-feira, vai angariar algum público por causa dos fãs de histórias em quadrinhos, mesmo já tendo resultado em comentários não muito animadores dos próprios produtores.

Não há nada de mal em ver um filme do qual já se espera o pior, mas dá raiva a eventual sensação de ter sido frustrado quando as expectativas eram mais elevadas. Pensando nisso, o BF resolveu compartilhar preconceitos quanto a alguns filmes que NÃO VIMOS, mas que acreditamos que sejam, por assim dizer, desnecessários. É claro, ficaremos felizes se alguns deles se revelarem as chamadas "gratas surpresas".




Dylan Dog e as Criaturas da Noite

Por que não deve funcionar: O filme foi feito à imagem e semelhança do fraco Constantine, que leva o nome do mago vivido por Keanu Reeves. Assim como o ocultista, Dylan Dog também é um personagem inglês dedicado a casos sobrenaturais que fez fama nos quadrinhos, e também foi descaracterizado na adaptação para os cinemas. No caso da produção estralada por Brandon Routh, o mesmo de Superman Returns, a ação não se passa em Londres, mas no sul dos Estados Unidos, e o habitual parceiro do herói, ninguém menos do que o saudoso ator Groucho Marx, deu lugar a um alívio cômico mais genérico.
Por que vai atrair algum público: Existe uma evidente carência de filmes de terror bem produzidos, o que faz o espectador aceitar longas de ação que rendam alguns sustos, sangue e nojeiras. Quem gosta dos quadrinhos e vai para a sessão desavisado pode se decepcionar ainda mais.

Lanterna Verde
Por que não deve funcionar: Inicialmente, a expectativa era até boa. Martin Campbell não é exatamente um cineasta espetacular, mas fez trabalhos competentes como 007 Contra Goldeneye, Cassino Royale e A Máscara do Zorro, este último, um bom exemplo de filme de aventura a explorar personagens em vez de efeitos especiais. Mas uma entrevista que ele deu ao site Omelete deixou claro que, além de não ter qualquer intimidade com a mitologia dos quadrinhos, trabalhou motivado só pela grana, o que não é bom sinal. E a trama, com vilões demais (Sinestro, Hammond e Parallax), faz lembrar as coisas que deram errado em Homem-Aranha 3 e Batman e Robin. Para piorar não estamos falando do roteiro de uma continuação, mas de uma típica história de origem, que tem de apresentar ainda a criação do protagonista. Parece assunto demais para filme de menos.
Por que vai atrair algum público: O Lanterna Verde é um mantenedor da ordem no universo, o que pode atrair quem enxerga similaridades com os jedis de Star Wars. Isso sem falar nos fãs de quadrinhos, que vão querer conferir se o personagem foi bem adaptado.




Os Smurfs
Por que não deve funcionar: O trailer pode ser um excelente criador de expectativa. Não raro, a pequena montagem de cenas do longametragem é melhor que o próprio filme. Mas no caso de Os Smurfs, o espectador pode ter pesadelos por causa das péssimas gags que apostam na suposta fofura das criaturinhas azuis para fazer humor pastelão e com motivos escatológicos. A suspeita é grande de que Smurfs seja o novo Garfield.
Por que vai atrair algum público: Quem viu os desenhos animados vai querer matar a saudade dos personagens. Se tiver filhos, vira uma sessão família.

Cilada.com
Por que não deve funcionar: Parece mais uma dessas comédias sem uma história bem definida que pouco a pouco se revela uma colagem de esquetes de resultado irregular. O ator principal parece bom, mas dificilmente salvaria um projeto assim.
Por que vai atrair algum público: Por que tem atores globais e é um filme nacional, o que vai ser usado como argumento para algumas pessoas arrastarem outras para "prestigiar" o cinema tupiniquim. Além disso, o brasileiro parece ter uma propensão muito grande a gostar de comédias ruins, desde que tenham elementos escrachados e sexuais. Essa, ao que parece, tem.





Footloose
Por que não deve funcionar: O Footloose original era bobinho, ainda que simpático para a geração Sessão da Tarde. O remake, por si só, não seria algo necessariamente preocupante, mas o fato de acontecer em meio aos High School Musicals que pipocam por aí pode significar que é o espectador quem vai dançar. De todos os aqui listados, esse é o projeto que pode ser a melhor surpresa. Conta a favor o diretor ser Craig Brewer, que assinou o bem-cotado Ritmo de Um Sonho. O personagem principal de Footloose é vivido por Kenny Wormald, que é dançarino profissional. Se é bom ator, saberemos em outubro.
Por que vai atrair algum público: Se Malhação faz sucesso, por que não isso aqui? O sucesso vai ser com o público feminino. Elenco cheio de belos rostos, algum romance, umas dancinhas e the end.

O Zelador Animal
Por que não deve funcionar: Filme estrelado pelo mesmo Kevin James do pavoroso Segurança de Shopping. O diretor é Frank Coraci, que tem currículo irregular, oscilando títulos razoáveis como Afinado no Amor e Click com outros detonados pela crítica, como A Volta ao Mundo em 80 Dias.
Por que vai atrair algum público: Se Segurança de Shopping chegou a figurar entre a lista de mais locados em algumas locadoras, não seria surpresa que esse filme conseguisse algo parecido. E o hábito de julgar livro pela capa vale também para o cinema. O pôster lembra bastante o sucesso Uma Noite No Museu, com Ben Stiller, um trabalho divertido, mas esquecível. Deve servir para enganar alguns espectadores incautos.










segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A Ditadura 3D


Renato Cordeiro

Conferir blockbusters depois de Avatar vem se tornando uma experiência mais penosa do que de costume. As salas com melhor equipamento disponível para projeção exibem os filmes de maior apelo popular quase que exclusivamente em 3D, sendo que a maior parte das sessões é dublada, para desespero do cinéfilo que gosta do som original. Se é que existe outro tipo de cinéfilo.

Só para citar um exemplo recente, Capitão América - O Primeiro Vingador é exibido em Salvador com 25 sessões distribuídas em 9 salas de cinema. Conferi este lançamento da Marvel em três dimensões, a contragosto, pois do contrário o veria sem a companhia de dois grandes amigos. A única sala que exibia o filme legendado em bons horários e sem o maldito 3D se encontrava no Unibanco Glauber Rocha, que gosto muito, mas era distante demais para eles, que precisavam enquadrar a sessão no horário da babá do filho. No circuito das grandes salas, as opções eram todas 3D, a maior parte dublada. Com o último filme da série Harry Potter e o longa X-Men - Primeira Classe, o problema foi bem parecido.

O que mais irrita não é só o fato de que a sessão em três dimensões é mais cara, chegando a quase o dobro do que se cobra em uma sala normal. Irrita mais é saber que o público paga mais caro por algo que não vale a pena, não passa de mero artifício dentro da experiência. Não é que a ferramenta não possa se tornar essencial e desejável ao espetáculo, mas até então poucos cineastas parecem ter conseguido fazer a diferença na utilização do recurso, tão alardeado como salvador das salas de cinema em tempos de downloads de filmes pela internet. Comenta-se, curiosamente, que o melhor resultado neste sentido, desde o lançamento de Avatar, foi obtido por Paul W. S. Anderson em Resident Evil 4 - Recomeço. Longa que não vi e não gostei, de todo modo, mas por outros quinhentos.

Com a chegada de TV's e monitores capazes de reproduzir o efeito 3D em domicílio, a expectativa, talvez otimista, é a de que a indústria reconheça que o recurso de três dimensões não vai conseguir, por si só, a adesão do público que vem assistindo DVD pirata e baixando filmes. Até lá, oficializo meu boicote ao 3D caçaníqueis.










quarta-feira, 18 de maio de 2011

Locadoras que valem a visita

Renato Cordeiro

Apenas neste ano, duas grandes locadoras de filmes de Salvador fecharam as portas: a GPW, na Pituba, e a Stax, antiga filial da Blockbuster, na Barra. Hoje, em toda a cidade, há menos de setenta estabelecimentos do tipo, e boa parte sobrevive em condições inglórias. Em tempos de ostensiva pirataria, internet rápida, torrents e várias opções de filmes para download, abrir um negócio do tipo seria um belo exemplo de mau investimento. Mas o segmento vai ganhando novas unidades que convivem com outras que parecem resistir bem aos novos tempos, apostando em maior flexibilidade nos prazos de devolução, grandes acervos ou na qualidade do catálogo. Há espaço até mesmo para a segmentação. Quem transitar por algumas destas sobreviventes terá surpresas agradáveis, e o BF resolveu apontar alguns estabelecimentos da capital baiana que valem a visita.




Casa de Cinema
Intitulada como a primeira locadora a apostar no segmento de cults e clássicos, funciona no mais boêmio bairro de Salvador. Então, entre um botequim e outro, experimente conferir este estabelecimento que fica no Shopping Rio Vermelho, Rua Odilon Santos. Os filmes são divididos em categorias como lançamentos, diretores e obras nacionais, a exemplo de longas do cineasta da Bahia Edgard Navarro. Tem site e uma decoração que privilegia charges bem simpáticas de personalidades da sétima arte. ATUALIZAÇÃO: Encerrou atividades em dezembro de 2011.




Vintage Vídeos
Funciona no Jardim Brasil, bem perto do lugar onde funcionava a Stax, na Barra. Aberta há poucos meses, a Vintage aposta nos filmes clássicos e cults, sendo que os primeiros títulos disponibilizados eram do pai do proprietário. A maior parte dos mais de 3 mil filmes são organizados por diretor, com farta quantidade de longas de Hitchcock, Kurosawa e Bergman, entre outros. Prato cheio para o público sala de arte, mas conta também com alguns títulos mais populares, como a trilogia do Homem-Aranha e afins. Possui site e um pote de balinhas diversas em cima do balcão. Se houver de côco, não deixe escapar. Acaba rápido.




Vídeo & Cia
A região da Mouraria, em Nazaré, é muito conhecida pela pizzaria Napolitana, mas o cinéfilo tem motivos a mais para dar um pulo por lá. O acervo é grande, com destaque para a parte de clássicos e alguns títulos difíceis de encontrar em outros lugares, como a versão de Othello com Laurence Fishburne e Kenneth Branagh, O Homem do Terno Cinzento, obscuro longa com Gregory Peck, e Desirée - Um Amor de Napoleão, um dos primeiros trabalhos com Marlon Brando. Possui site e filial no Largo 2 de Julho, igualmente bem servida.




Vídeo Hobby
A última das gigantes do segmento a se manter em atividade em Salvador tem ares de megastore. O estabelecimento na Avenida Manoel Dias da Silva reúne cafeteria, banca de revistas, venda de livros, aluguel de equipamentos e é possível até adquirir alguns títulos que eram da locadora, que tem site, filial na Graça e, provavelmente, é aquela que possui a maior quantidade de trabalhos em Blue-Ray.












quinta-feira, 28 de abril de 2011

Dos filmes para os quadrinhos


Renato Cordeiro

Sempre que um blockbuster baseado em uma história em quadrinhos estréia nos cinemas, é natural que se faça um retrospecto de outras adaptações de obras que saíram da nona para a sétima arte. Apesar de alguns tropeços como The Spirit, Elektra, Constantine e Mulher-Gato, o saldo deste fenômeno é positivo. Produções como a Homem-Aranha e a trilogia X-Men foram sucessos de público e crítica, assim como aconteceu com o aclamado Batman - O Cavaleiro ds Trevas, de Christopher Nolan. Mas o BF foi no sentido inverso, e relacionou alguns longas que foram parar nos gibis, encontrando resultados que nem sempre são tão animadores.

Na maior parte dos casos, as HQ's que adaptam filmes buscam os gêneros de ficção científica e terror, mas encontramos alguns faroestes e policiais que também ganharam versões em celulose.
Star Wars é provavelmente o filme que mais foi agraciado com este processo, com centenas de revistas que vem sendo publicadas desde o final dos anos 70, incluindo versões em mangá, o tradicional quadrinho japonês.

Também acontece de alguns quadrinhos virem de filmes que, por sua vez, são adaptações de outras mídias, a exemplo dos livros. É o caso de Blade Runner (do romance de Phillip K. Dick), Rambo (de David Morrell) Duro de Matar (do livro de Roderick Thorpe) e O Planeta dos Macacos (da obra de Pierre Boulle). Aqui, cabe perceber que os gibis se baseiam, de fato, nas versões cinematográficas. Basta perceber o traje usado por Rambo na capa da revista homônima, e o desenho que remete às feições do ator Bruce Willis em Duro de Matar: Ano Um. Quanto a casos como Star Trek, que começou a existir como um programa de TV, também vale a pena manter a associação entre a nona e a sétima arte, já que o universo dos filmes e do seriado televisivo estão intimamente ligados e chegam a cruzar referências.

Basicamente, existem dois tipos de quadrinhos inspirados pelo cinema: as adaptações, que traduzem a obra cinematográfica para a HQ, e as expansões, como vamos chamar aqueles que aproveitam a mitologia original para contar histórias novas.


Adaptações

Quando você encontrar uma revista com os dizeres "adaptação oficial do filme" certamente vai se deparar com uma equipe criativa envolvida em uma tarefa hercúlea: fazer uma trama de duas horas caber em um espaço de 48 a 100 páginas. Como já se pode pressupor, é difícil esperar que algo de bom saia de um processo como este. São muitas cenas que precisam ser cortadas, sequências abreviadas, personagens apagados, o que deixa pouco espaço para algo além de um plot e uma sequência de imagens.


2001: Uma Odisséia No Espaço



Blade Runner - O Caçador de Andróides



Todo Mundo Quase Morto



Batman, O Filme



Um Drink No inferno



Curiosamente, a maioria dos gibis do tipo são baseados em filmes que já eram baseados em HQ's. Um exemplo é o filme Batman, de Tim Burton, inspirado no personagem de quadrinhos criado por Bob Kane e Bill Finger. O próprio longametragem recebeu uma adaptação oficial bem digna de nota, pelo acabamento luxuoso e as belas ilustrações de Jerry Ordway, que retrata com perfeição as feições do elenco composto por Michael Keaton, Jack Nicholson e Kim Basinger. Também merece destaque a adaptação do clássico 2001: Uma Odisséia no Espaço, que ficou a cargo do cultuado escritor e desenhista Jack Kirby, muito conhecido por gibis sci-fi.

A lista de adaptações de filmes em quadrinhos é extensa, e inclui Constantine, Elektra, Hook - A Volta do Capitão Gancho, O Justiceiro (as versões estreladas por Dolph Lundgren e Thomas Jane), Rambo III, Rocketeer, Superman III, As Tartarugas Ninja, Tron - O Legado, Warriors - Os Selvagens da Noite, e X-Men (os três filmes).



Expansões

Entre os quadrinhos que expandem a mitologia abordada no longametragem, o mais comum são os prequels, que abordam eventos que acontecem antes do filme. Um exemplo são as quatro revistas lançadas à época de Superman - O Retorno, cujas histórias se passam entre Superman II e o filme de Bryan Singer. O mesmo acontece com X-Men, G.I. Joe e até mesmo Duro de Matar, só para citar alguns.

Outras obras vão além do the end, e apostam nos acontecimentos que se passam depois da trama vista nas telonas. É o caso de algumas versões de celulose para Os Caça-Fantasmas e Uma Noite Alucinante. Por vezes, a trama até dispensa os personagens principais vistos na película e traz novos protagonistas criados especificamente para o quadrinho, como acontece em algumas revistas do universo de Star Wars.

Podemos citar ainda HQ's que não citam o período exato nos quais se passam, como ocorre com boa parte dos comics de Matrix.

Em outra categoria de expansões, temos os crossovers. Os encontros entre personagens de diferentes filmes em uma mesma história em quadrinhos é coisa comum na nona arte. Inclusive, alguns deles aconteceram na celulose antes mesmo de chegar às salas do cinema, como ocorreu com Alien Vs Predador, publicada pela Dark Horse em 1990, 14 anos antes dos bichos da Fox se degladiarem em um longametragem.


Alien Vs Predador


Freddy Vs Jason Vs Ash


Robocop Vs Exterminador do Futuro


O anti-herói do filme de estréia de Sam Raimi, Ash, é outro arroz de festa quando o assunto é crossover. O protagonista de Uma Noite Alucinante deu as caras em encontros com as franquias Reanimator e Darkman, além da guerreira Xena e uma versão zumbi dos heróis da Marvel Comics. Mas os crossovers mais curiosos são aquele em que o sujeito divide as páginas com o presidente Barack Obama e o quadrinho intitulado Freddy Vs Jason Vs Ash.



Alguns filmes que geraram quadrinhos



Alien - O Oitavo Passageiro

Desde a estréia nos cinemas, com o clássico moderno dirigido por Ridley Scott, a criatura mortífera já teve várias passagens pelos quadrinhos. Uma delas foi uma série lançada em maio de 1988 cuja trama se passa anos depois do segundo filme da franquia, Aliens, O Resgate. Em seis capítulos, a história apresenta dois dos principais personagens do longametragem em uma nova missão ao planeta natal dos monstros. O quadrinho foi publicado pela Dark Horse, principal editora a trabalhar com o universo dos monstrengos.




O Balconista

Os filmes da View Askew Productions, de Kevin Smith, ganharam versões em quadrinhos pela One Press, que publicou histórias ligadas ao longa O Balconista. O Askewniverse também tem quadrinhos inspirados em Dogma e Procura-se Amy, entre outros trabalhos.



Brinquedo Assassino
As primeiras revistas dedicadas ao boneco psicopata foram lançadas ainda no início dos anos 90, pela Innovation, com o título original do longa, Child's Play. Na mesma época houve adaptações em quadrinhos dos filmes homônimos. Já em 2011, a Comics Alliance começou a publicar uma expansão do universo do personagem, que voltava a perseguir o agora crescido Andy Barclay, cujo corpo pode ser o hospedeiro do espírito maligno.




Os Caçafantasmas

Antes dos quadrinhos publicados a partir de 1988, o sucesso do cinema ganhou uma versão em desenho animado que foi bem de público, mas teve de ser rebatizado. O programa televisivo se referia aos quatro caçadores de fantasmas pelo título The Real Ghostbusters, por causa de um outro cartoon que já detinha o direito de usar o nome. O título acabou indo parar também nos quadrinhos da equipe formada por Peter Venkman, Egon Spengler, Ray Stantz e Winston Zedmore. A partir de 2008, a IDW começou a lançar gibis do grupo, já com o nome Ghostbusters. Outras editoras que também já publicaram HQ's baseadas no filme foram a Tokyopop, Now, Atlantic Förlags AB e Marvel UK.




Darkman - Vingança Sem Rosto

O filme de Sam Raimi sobre o anti-herói desfigurado teve duas minisséries em quadrinhos lançadas nos anos 90 pela Marvel Comics, a mesma detentora dos X-Men e Homem-Aranha. A trama trazia vários personagens do longametragem original, a exemplo de vilões e do interesse romântico do protagonista. A partir de 2006, foi a vez da Dynamite lançar a própria versão das desventuras do cientista Peyton Westlake, com direito a um crossover com outro anti-herói criado por Sam Raimi, Ash, o mesmo de Uma Noite Alucinante.




Duro de Matar

Muito antes do policial cascagrossa John McClaine pular do alto do Nakatomi Plaza, ele foi um simples guarda. É essa a história contada desde 2008 nos quadrinhos Die Hard - Year One, da Boom Studios. O prequel é escrito por Howard Chaykin, o mesmo de quadrinhos de público mais maduro, como American Flagg, e traz vários elementos dos filmes na trama e até mesmo na arte de Stephen Thompson, que reproduz as feições do ator Bruce Willis. A capa também faz referências aos longas - em uma edição especial da primeira revista da série, está estampado o bordão do personagem.




O Exterminador do Futuro
A franquia iniciada pelo cineasta James Cameron tem uma variedade de publicações que rivaliza com a saga Star Wars. As histórias envolvendo os robôs assassinos são publicadas em quadrinhos desde 1991, incluindo uma adaptação de O Exterminador do Futuro 2- O Julgamento Final, lançada pela Marvel Comics. Muitas companhias já levaram os dróides para o papel, a exemplo da Trident, Norbert Hethke Verlag, mg publishing, Dynamite Entertainment, Dark Horse e Now. O material envolve ainda um prequel de O Exterminador do Futuro - A Salvação e crossovers com Aliens, Predadores e o Superman, além de um confronto com Robocop, com roteiro de Frank Miller e arte de Walt Simonson.




Extermínio
A primeira versão em quadrinhos para o filme de zumbis de Danny Boyle foi lançada em 2007, escrita por um sujeito que entende do riscado: Steve Niles, o mesmo de 30 Dias de Noite. Com arte bem ruinzinha de Dennis Calero, a série da Fox Atomic Comics acompanha justamente aquilo que não é mostrado em Extermínio: como um macaco infectado espalhou uma terrível variação do vírus da raiva pelo mundo. Já em 2009, chegou às bancas, pela Boom Studios, uma outra versão do universo apocalíptico de Extermínio, mostrando a história da personagem Selena e do grupo que a acompanhava antes dos eventos exibidos no longametragem.




Highlander - O Guerreiro Imortal
Quem detestou as sequências do sucesso estrelado por Christopher Lambert e não quer nem pensar em assistir a algum capítulo da série de TV pode tentar a sorte com os quadrinhos da Dynamite, lançados em julho de 2006 e em dezembro de 2007. As expansões mostram o que ocorre depois do primeiro longa da série, e evidentemente, desconsidera o pavoroso segundo filme. A companhia contou histórias de outro integrante do clã McCloud, Duncan, e criou até mesmo um prequel com a história de Korgan, o arquiinimigo de Connor.




Os Incríveis

Nada mais natural do que uma animação tão bacana sobre uma família de super-heróis ganhar seu próprio gibi. Primeiro, o longametragem da Pixar recebeu uma adaptação pela Dark Horse, em 2004. Depois, em 2009, foi a vez da Boom! Studios dar partida em uma série regular protagonizada pelos Parr - ou Pêra, como ficaram conhecidos no Brasil. Destaque para o escritor da HQ, o consagrado Mark Waid.




Fuga de Nova York
O valentão vivido por Kurt Russell em 1981 teve duas passagens pela nona arte. A primeira, Adventures of Snake Plissken, chegou às bancas em 1997, um ano depois da sequência do primeiro filme, Fuga de Los Angeles, e abordando elementos apresentados em ambos os filmes. Já em 2003, o anti-herói deu as caras em uma minissérie lançada pela extinta Crossgen, John Carpenter's Snake Plissken Chronicles. A trama se passa anos depois do primeiro longa, e mostra o sujeito tentando executar um plano audacioso: roubar o carro no qual o presidente JFK foi assassinado.




G.I. Joe: A Origem De Cobra

Os supermilicos do Tio Sam são mais conhecidos no Brasil pelo desenho animado Comandos em Ação, e tiveram um filme que veio na esteira de outro longametragem baseado em brinquedos da Hasbro, Transformers. Em março de 2009, a IDW lançou quatro edições da minissérie G.I. Joe Movie Prequel. Os capítulos escritos por Chuck Dixon são dedicados aos personagens Duke, Destro, Baronesa e Snake-Eyes, nesta ordem.




Hellraiser: Renascido do Infer
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As histórias dos demônios sádicos concebidos pelo autor Clive Barker chegaram aos quadrinhos pela Marvel Comics em 1989, dois anos depois da estréia do filme homônimo. Depois da minissérie em 20 capítulos, a mesma empresa lançou várias edições especiais dedicadas ao universo dos cenobitas e até mesmo uma adaptação do terceiro longametragem. Pinhead e companhia voltaram às bancas de revistas em março de 2011, já pela Boom! Studios. As HQ's receberam tratamento de alto nível. Além das histórias escritas pelo próprio Barker e capas do aclamado Tim Brastreet, a arte interna ficou com o ótimo Leonardo Manco e tem um pequeno bônus de autoria de Larry Wachowski, um dos diretores da saga Matrix.




A Hora do Pesadelo
O psicopata que não dá sossego aos jovens da Rua Elm teve HQ's publicadas por quatro editoras: a primeira versão em celulose foi lançada pela Marvel Comics em uma minissérie de duas partes em preto-e-branco, em 1989. A segunda, da Innovation, teve menos sorte: publicada em 1992, deveria ter três capítulos, mas a última parte jamais chegou às bancas. Na sequência, foram lançados quadrinhos da Avatar Press e da DC Comics, que lançou 8 edições de revistas com o psicopata sobrenatural, capaz de matar as vítimas enquanto estão sonhando.




Os Caçadores da Arca Perdida
Mais uma vez, a Marvel Comics saiu na frente em uma adaptação de filme em quadrinhos. Em 1981, lançou a HQ oficial que transportava para o celulóide o primeiro longa sobre o aqueólogo aventureiro vivido pelo ator Harrisson Ford. Já em 1992, a Dark Horse entrou em cena com 12 edições de The Young Indiana Jones Chronicles, inspirada na série de TV que, por sua vez, é baseada no ótimo Indiana Jones e A Última Cruzada. O cativante personagem de Sean Connery, Henry Jones, o pai do herói, também aparece nos quadrinhos. Um exemplo é Indiana Jones and the Spear of Destiny, de 1995.




O Massacre da Serra Elétrica
Leatherface e sua simpática família de aberrações fizeram o debut nos quadrinhos em 1991, pela Northstar, em uma história que adapta o obscuro terceiro filme da franquia iniciada por Tobe Hooper. O psicopata já apareceu também em um crossover com Jason Vorhess, estrela de Sexta-Feira 13, lançado pela Topps no ano de 1995. As demais passagens foram pela Avatar Press, em 2005, e a Wildstorm, ligada à DC Comics, em 2007.




Matrix
Várias histórias ligadas ao universo concebido pelos irmãos Wachowski foram compilados em Matrix Comics, de 2003. A HQ da Burlyman Entertainment contou com a luxuosa participação de grandes nomes dos quadrinhos, a exemplo de Neil Gaiman, Dave Gibbons, Bill Sienkiewicz, Paul Chadwick e Tim Sale. Os diretores da trilogia também colaboraram com o gibi, através do conto Bits and Pieces of Information, cuja história remete a um dos episódios de Animatrix, intitulado A Segunda Renascença.




Os Mercenários
A HQ de 2010 conta histórias do grupo liderado por Sylvester Stallone, passando-se antes do filme Os Mercenários. A trama da minissérie em quatro partes da Dynamite é escrita por um dos bons nomes dos quadrinhos de ação, Chuck Dixon.




Uma Noite Alucinante
Ash, o herói mais adoravelmente canastrão do cinema de horror, protagonizou adaptações, croosvers e expansões. Os títulos normalmente aparecem com o nome do personagem ou dos filmes Evil Dead e Army of Darkness. As primeiras revistas foram lançadas pela Dark Horse em novembro de 1992, quase dez anos depois do primeiro filme da série arrancar elogios da crítica especializada e até do escritor Stephen King. O homem armado com uma motosserra no lugar da mão e uma espingarda pendurada nas costas também estrelou HQ's da Dynamite e Devil's Due Publishing.




A Noite dos Mortos Vivos
Os zumbis de George Romero inspiraram quadrinhos de editoras como a FantaCo Enterprises, Dead Dog Comics, Avatar Press e a IDW, que chegou a lançar uma HQ escrita por Steve Niles, autor veterano em quadrinhos de horror. Às vezes, as revistas apararecem com um título que remete a alguma das sequências dos longas romerianos, a exemplo de Dawn of the Dead.




A Origem

Nem só de celulose são feitos os quadrinhos baseados em filmes. O aclamado A Origem, de Christopher Nolan, ganhou um prequel disponibilizado na internet, de graça. Inception: The Cobol Job acompanha o grupo liderado pelo personagem de Leonardo DiCaprio um pouco antes dos eventos do longametragem.




O Planeta dos Macacos
A mitologia acompanha um mundo onde os símios desenvolveram a inteligência e escravizaram os humanos. A HQ's baseadas no filme estrelado por Charlton Heston começaram a ser lançadas ainda nos anos 70, com uma adaptação da Gold Key. Outras empresas que fizeram revistas sobre os bichos foram a Marvel, Peter Pan, Malibu e Dark Horse, além da Boom! Studios, que lançou um prequel do primeiro longa. Na trama, ficamos sabendo como uma era de prosperidade e tolerância entre macacos e humanos deu lugar à opressão sobre os últimos.




Por Um Punhado de Dólares
Até um dos maiores clássicos do western ganhou uma expansão nos quadrinhos da Dynamite, em 2008. Trata-se de uma série de gibis intitulada The Man With No Name, centrada no personagem de Clint Eastwood na trilogia formada por Por Um Punhado de Dólares, Por Uns Dólares a Mais e Três Homens em Conflito.




O Predador
O caçador intergalático com jeitão rastafari fez a estréia no cinema em 1987, em um ótimo longametragem estrelado por Arnold Schwarzenegger. Nos quadrinhos, isso só ocorreu em junho de 1989, em quatro edições de uma minissérie da editora Dark Horse. No ano seguinte, começava a ocorrer um dos mais tradicionais crossovers em quadrinhos baseados em filmes, com as cinco edições de Alien Vs Predador. Outros encontros dignos de nota aconteceram com Batman, Superman, Tarzan, Witchblade e Darkness. Os bichos também apareceram na adaptação do filme Predadores, que chegou às bancas em 2010.




Premonição

A trama do escritor Mike Kalvoda segue a mesmíssima linha da franquia Premonição. Um grupo de estudantes de férias no México escapa de um incêndio seguido de explosão em um hotel. O fato matou várias pessoas, mas os colegas de Carly nada sofrem graças ao alerta da garota, que previu o desastre. Assim como nos filmes, a HQ da Zenescope Entertaiment mostra que a Dona Morte não vai deixar isso barato.




Reanimator: A Hora dos Mortos Vivos
O doutor Herbert West foi criado pelo cultuado escritor H.P. Lovecraft como uma espécie de Victor Frankenstein mais moderno e amoral. A adaptação para o cinema foi estrelada por uma dos mais conhecidos astros dos filmes B, Jeffrey Combs. O quadrinho segue a adaptação do clássico, inclusive com as feições do intérprete. Duas obras são destaque: Chronicles Of Dr Herbert West, da Zenescope Entertainment, e um crossover com o personagem Ash, do filme Uma Noite Alucinante.




Robocop - O Policial do Futuro
Pode-se dizer que a relação de Robocop com os quadrinhos começou no segundo filme da franquia, que teve roteiro do escritor Frank Miller. Parte dos gibis inspirados no personagem se baseiam no longas, mas também há expansões e crossovers com a franquia O Exterminador do Futuro.




Scarface
O magnata do crime vivido por Al Pacino teve duas HQ's publicadas pela IDW. Uma delas é a inusitada Scarface: Scarred For Life, que acompanha o que acontece com Tony Montana depois do final do filme de Brian De Palma. Já o prequel em cinco partes Scarface: Devil in Disguise apresenta a história do sujeito ainda em Cuba, antes da chegada aos Estados Unidos.




Se7en - Os Ste Pecados Capitais
O perturbador filme de David Fincher ganhou uma interessante expansão para os quadrinhos publicada pela Zenescope Entertainment. Trata-se de uma minissérie em, claro, sete capítulos, dedicados a cada uma das sete vítimas do psicopata do longametragem. Cada edição, ilustrada por um diferente artista, mostra como se deram os crimes que colocaram o criminoso no caminho dos policiais interpretados por Brad Pitt e Morgan Freeman.




Sexta-Feira 13
O primeiro quadrinho voltado ao slasher de Crystal Lake chegou às bancas em 1993, na forma de uma adaptação em três partes baseada no nono filme da série, Jason Vai Para O Inferno - A Última Sexta-Feira, lançado no mesmo ano. Dois anos depois, a mesma editora, a Topp, promoveu um crossover com outro psicopata, Leatherface, de O Massacre da Serra Elétrica. As HQ's seguintes foram lançadas a partir de 2005, na forma de expansões pela Avatar Press e a DC Comics.




Star Trek
A tripulação da Enterprise já havia aparecido em quadrinhos muito antes da adaptação do reboot de J.J. Abrams. As primeiras revistas foram lançadas na década de 60, pela Gold Key, anos antes da série de TV dar lugar a um longametragem, que também ganhou uma versão em quadrinhos, lançada pela Marvel Comics. A editora arquirrival, a DC Comics, também já publicou histórias de Kirk, Spock e cia, assim como a Malibu, Peter Pan, Tokyopopo e a IDW.




Star Wars
Dá pra perder a conta de quantos gibis já foram lançados com base na saga concebida por George Lucas. A estréia nos quadrinhos se deu em 1977, pela Marvel Comics, em histórias que chegaram a ser publicadas no Brasil como parte de um mix das revistinhas do Hulk, então pela editora Abril. Mas desde os anos 90, a detentora dos direitos de publicação é a Dark Horse.




Superman - O Retorno
Mais um caso de prequel na forma de minissérie, dessa vez mostrando alguns eventos que se passam entre Superman II e Superman - O Retorno, além de uma história ambientada no mundo natal do Homem de Aço. Das quatro edições, três são dedicadas a um personagem diferente: Lois Lane, Martha Kent e Lex Luthor.




Tron - O Legado
A Marvel Comics investiu bastante em ações de marketing da pavorosa continuação do filme Tron, inclusive com a minissérie Tron Betrayed. As revistas trazem um prequel em quadrinhos do longamentragem Tron - O Legado, que também teve uma adaptação oficial publicada pela mesma editora. Já Slave Labor Graphics apostou em uma história que tem lugar após os eventos do filme, Tron: Ghost In The Machine.



Tropas Estelares
As cucarachas carnívoras gigantes também são perseguidas nos quadrinhos. A Dark Horse lança expansões das Tropas Estelares desde 1997, ano em que foi lançado o filme de Paul Verhoeven, o mesmo de Robocop. Os quadrinhos podem ser uma experiência mais agradável do que as continuações feitas para o cinema.


Como é possível perceber, são muitos os filmes que, de um modo ou de outro, inspiraram quadrinhos. A vida é curta e o post, grande. Mas podemos citar ainda Jurassic Park, A Pequena Loja dos Horrores, Psicose, Labirinto, Os Garotos Perdidos, etc, etc.