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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Braveheart Soundtrack



Renato Cordeiro

Sem dúvida a bela trilha de James Horner, indicada para o Oscar em 1995, é um dos trunfos de Coração Valente, épico dirigido por Mel Gibson. À época do lançamento nos cinemas, cartazes do longametragem de quase três horas apresentados nos jornais de Salvador traziam uma legenda com uma frase mais ou menos assim: Os Homens Vão Adorar. As Mulheres Vão Suspirar. Os dizeres, ainda que ingênuos, sinalizam o feito conseguido pelo trabalho que traz uma versão romanceada da vida do líder escocês William Wallace, lendário ícone da resistência contra a dominação inglesa.

O filme consegue agradar a uma grande variedade de públicos, dosando aventura, violência, romance e drama. E se é verdade que a trama faz isso abrindo mão da fidelidade histórica, o score de Horner também não é tão próprio da cultura escocesa. A gaita de fole, por exemplo, instrumento chave na maior parte das músicas, é ouvida, nas verdade, atráves de um modelo irlandês. Não que isso tenha tornado as trilhas menos bonitas.

Horner preparou basicamente quatro motivos principais para as dezoito faixas do CD. Um deles, que responde pelo tema principal, dá conta da dimensão lendária do rebelde, com uma poderosa gaita de fole que se une aos violinos. O motivo será retomado nos momentos de maior triunfo ou expectativa em torno das grandes batalhas que serão lideradas por Wallace, a exemplo de Making Plans Gathering The Clans. O mesmo motivo ainda é incorporado à bela Sons of Scotland, que marca a chegada do personagem e seus comandados na Batalha de Stirling. A música investe em sopros discretos para acompanhar o discurso motivacional de William Wallace aos escoceses, um daqueles momentos em que os marmanjos na sala de cinema se sentem tomados de um desejo incontrolável de também resolver os problemas à base das machadadas.

No plano das músicas mais ternas, aparece logo aos primeiros minutos do filme Gift Of a Thistle, mais um tema que tem em primeiro plano uma gaita de fole. A música pode ser ouvida nos primeiros minutos do épico, quando Wallace, ainda menino, durante o funeral do pai, recebe uma flor da garota que, anos mais tarde, será sua esposa. O trecho volta a aparecer em várias passagens dedicadas à personagem Murron, incluindo uma versão em flauta no tema The Secret Wedding, que também desenvolve outro motivo usando o mesmo intrumento.

Os temas de Coração Valente são interpretados pela London Symphony Orchestra. Abaixo, uma das melhores cenas, o discurso motivacional bem à moda do Tio Sam.










quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Stayin' Alive In The Wall

Mash Up inspirado que mescla os temas de dois famosos longas, Os Embalos de Sábado à Noite, monumento da disco que consolidou a carreira de John Travolta, e The Wall, musical inspirado no álbum homônimo da banda de rock psicodélico Pink Floyd. No vídeo, a canção Another Brick In The Wall ganha versos de Stayn' Alive, com direito aos característicos vocais dos Bee Gees.

Agradecimentos a Adriano Câmara, pela dica.

















domingo, 25 de setembro de 2011

Inception Soundtrack


Renato Cordeiro

A Origem foi um dos melhores longas de 2010, ainda que alguns torçam o nariz quando uma declaração do tipo é dirigida a um trabalho mais popular, como este filme de ação sci-fi. Christopher Nolan comandou
uma trama complexa e criativa com boa dose de surrealismo, dando origem a cenas espetaculares. Tudo na produção é muito bem orquestrado, incluindo a montagem que desenvolve um equilíbrio dinâmico em diferentes planos da realidade. E a trilha sonora também cumpre o papel que lhe cabe.

Hans Zimmer, que por vezes é apontado como um profissional menor entre os compositores de trilhas sonoras, fez aqui um dos melhores trabalhos. As partituras do alemão reforçam a atmosfera de sonho e angústia desenvolvida por Christopher Nolan, com quem já havia trabalhado em Batman Begins e The Dark Kinight. O investimento em sons eletrônicos mesclados à orquestra, em especial os metais, lembra Vangelis, um músico que revolucionou o segmento com o uso de sintetizadores em trilhas sonoras. Assim, Conquest of Paradise, feita pelo grego para
1492 - A Conquista do Paraíso, encontra contraponto em Time, que encerra A Origem com chave de ouro. É claro, encontraremos ainda ecos de Blade Runner - O Caçador de Andróides, excetuando-se, claro, Love Theme, a mais famosa música do longa de Ridley Scott

Outro elemento que se encaixa muito bem é a guitarra, que se faz presente em faixas como One Simple Idea. Por vezes abafado, o instrumento não apenas acentua o aspecto onírico do longametragem como realça a melancolia do protagonista, nas passagens nas quais recorda um antigo amor. Mombassa marca a conturbada visita de Cobb, líder dos assaltantes, a Eames, o falsificador. É um tema mais forte, percussivo, célere, mais cinema de ação, que bebe na fonte do próprio Zimmer, lembrando alguns trechos de The Chase e Rocket Away, escritas por ele para A Rocha.

Existem scores que você pode ouvir no carro como se fosse um álbum de música "normal", enquanto outros, como a trilha de A Origem, tendem a perder muito do impacto fora da apreciação do longa, muito em função do ambiente surreal que as partituras sugerem. Ainda assim, mesmo não sendo obra de gênio, escapa da sonoridades mais manjadas que se ouve em outras trilhas.

Abaixo, você confere um making off da produção da soundtrack e uma apresentação de Mombassa na première de
A Origem. Para ler as resenhas de Bee e Renato Cordeiro sobre o filme, clique aqui.















sábado, 17 de setembro de 2011

Phillip Glass - Koyaanisqatsi

Phillip Glass se apresentou em Salvador nesta noite, em um momento dedicado à música de câmara, com direito à participação do violinista revelação Tim Fain. Para os cinéfilos, boa oportunidade de conferir ao vivo o show de um nome bastante ligado à sétima arte, responsável pela partitura de longas como O Show de Truman e As Horas. Para quem não teve tempo ou grana sobrando para conferir a obra do sujeito, o BF traz um dos vários temas que Glass compôs para Koyaanisqatsi - Uma Vida Fora de Equilíbrio.


quinta-feira, 14 de julho de 2011

O Príncipe dos Pistoleiros

O que Roy Rogers, Paul Newman, Kris Kristofferson e Emilio Estevez tem em comum? Todos deram vida a um dos mais famosos nomes do Velho Oeste, o pistoleiro Henry McCarty, conhecido como William Henry Bonney ou, melhor ainda, Billy the Kid. Morreu há exatos 130 anos. Para lembrar a data, vai abaixo o clipe do filme Jovem Demais Para Morrer, com aquele que este cinéfilo diria ter sido o melhor intérprete do jovem bandido, Emilio Estevez.


quarta-feira, 25 de maio de 2011

Atuando e Cantando


Não é só nos musicais que os astros e estrelas do cinema cantam. Alguns dramas, comédias e até ficções-científicas já tiveram, entre as melhores cenas, aquelas em que alguém solta a voz. O BF reuniu alguns destes momentos na relação abaixo.






AFINADO NO AMOR
Anti-spoiler: se você não viu Afinado no Amor, é bom saber que o vídeo acima é do final do filme. Adam Sandler faz um cantor de casamentos que ostenta um coração partido no longametragem em que contracenou pela primeira vez com Drew Barrymore. Os dois voltariam a se encontrar em outra comédia romântica, o sucesso Como Se Fosse a Primeira Vez, com direito a mais um número vocal do ator.






HUDSON HAWK - O FALCÃO ESTÁ À SOLTA
Bruce Willis comeu o pão que o diabo amassou depois de fazer esse filme, malhado pela crítica e esquartejado pelo público. Mas é um trabalho subestimado e bem divertido. Serviu de válvula de escape para o ator de Duro de Matar soltar a voz ao interpretar standards do foxtrot, a exemplo de Swinging On a Star. O protagonista, um ladino com aversão a relógios, prefere usar músicas para sincronizar os passos de um roubo em parceria com Danny Ayello. Vale lembrar que Bruce Willis chegou a ter uma banda formada nos anos 90, que acabou não dando muito certo.







DE VOLTA PARA O FUTURO
Não foi Chuck Berry, mas Marty McFly quem criou Johnny B Good, clássico seminal do rock'n roll. A prova está no primeiro filme da série De Volta Para o Futuro, estrelado por Michael J. Fox, que tenta voltar para a própria época depois de ter sido deslocado para o passado.






BONEQUINHA DE LUXO
A mais bela cena do longametragem estrelado por Audrey Hepburn. George Peppard está no apartamento, tentando escrever, quando ouve alguém tocar a canção Moon River, escolhida especialmente para a atriz. A cena é feita sem qualquer extravagância, como se fosse um momento qualquer, aquele tipo de coisa que pode acontecer com qualquer um. Imagine...





CIDADE DAS SOMBRAS
Jennifer Connelly faz uma cantora nesta ficção científica bacaninha, mas superestimada. A atriz interpreta duas canções: Sway e The Night Has A Thousand Eyes. Destaque para a banda que a acompanha.






PARA O RESTO DE NOSSAS VIDAS
Hugh Laurie, o eterno Doutor House, é um dos amigos do sujeito rico vivido por Stephen Fry, que resolve reunir alguns velhos camaradas para que passem alguns dias em sua mansão. Nesta cena, Laurie toca ao piano The Way You Look Tonight, entoada junto a outros atores do elenco principal, que inclui Kenneth Branagh e Emma Thompson.





ESTRANHOS PRAZERES
Anos antes de criar uma banda que levaria seu nome, Juliette Lewis incorpora tudo o que há de rocker no mundo ao interpretar a canção Hardly Wait, em um dos pontos altos do filme ciberpunk de 1995. Na cena, ela é observada por um embasbacado Ralph Fiennes, que vive o ex-namorado da então moçoila.







ANTES DO PÔR-DO-SOL
É impossível não amar Julie Delpy. Depois de nove anos sem notícias do amor de juventude, a mulher encontra Ethan Hawke e a paixão, agora contida, volta a tomar conta dos dois. O filme todo é romântico até a medula mas, como se não bastasse, ela tinha que pegar o violão. E Hawke pediu a valsa. Continuação de Antes do Amanhecer, igualmente obrigatório.






10 COISAS QUE EU ODEIO EM VOCÊ
Antes de ser o Coringa em Batman - O Cavaleiro das Trevas e Bob Dylan em Não Estou Lá, Heath Ledger era um jovem com uma vida inteira pela frente, fazendo até comédia romântica teen. Nesta versão moderninha de A Megera Domada, de Shakespeare, o ator canta o hit sessentista Can't Take My Eyes off You.





LETRA E MÚSICA
A comédia romântica já valeria a pena pelos seis minutos iniciais, quando é exibido o clip do maior sucesso de uma típica banda de uma música só. É uma recriação sensasional dos vícios do pop oitentista, com sintetizadores e bateria abafada. Um ídolo fictício da época é justamente o personagem vivido por Hugh Grant, que aparece com cabelo Chitãozinho & Xororó e o infame babado no pescoço, absolutamente hilário. Devo ter visto um zilhão de vezes.





A BALADA DO PISTOLEIRO
Antonio Banderas cai nas graças do diretor Robert Rodriguez e vive o músico que busca vingança depois de ter a mão incapacitada para o violão. O mesmo filme traz o interesse amoroso do mariachi, Salma Hayek, cantando aos sussuros Quedate Aqui.






O TALENTOSO MR. RIPLEY
Para se aproximar da vítima de um plano maquiavélico, o maucaráter Tom Ripley faz uma imersão pelo melhor do jazz, passando por nomes consagrados como Chet Baker e Miles Davis. Matt Damon aparece cantando a intimista My Funny Valentine, entre outras.




JUNO
Michael Cera canta mal pra caramba, mas a bela Ellen Page salva o dueto de Anyone Else but You, executada ao final do filme indie que se tornou um sucesso de público e crítica.





DUETS - VEM CANTAR COMIGO
O filme que colocou a balada Cruisin no topo das paradas. A canção se dá em um dueto entre Gwyneth Palthrow e o roqueiro que faz o pai da loira, Huey Lewis, o mesmo do hit Power of Love, da série De Volta Para o Futuro.






ALTA FIDELIDADE
Jack Black faz bonito interpretando Let's Get It On, no filme baseado em obra de Nick Hornby. Vale a pena buscar a versão de estúdio gravada pelo mesmo ator, que tem menos maneirismos.


E se você quer mais, pode querer conferir os casos de atores e atrizes que se enveredaram pelo mercado fonográfico. Clique aqui.










domingo, 22 de maio de 2011

O Maestro, O Cineasta





Renato Cordeiro


O mais importante colaborador que tive, eu o digo sem hesitar, foi Nino Rota
. A frase é de Federico Fellini, ao se referir ao compositor das trilhas sonoras dos maiores filmes do diretor italiano, a exemplo de Amacord, A Doce Vida e Oito e Meio. A declaração apenas reforça a importância da relação entre filmes e músicas, que remete à própria origem da sétima arte. Na época do cinema mudo, as salas de exibição contavam com músicos que embalavam as imagens em movimento. Com o tempo, a interação se tornou mais complexa, as trilhas foram reconhecidas como parte do que dá identidade a um longametragem, do mesmo modo que a montagem e a fotografia. Por isso mesmo, os compositores entraram para o grupo de profissionais de confiança dos cineastas, que delegaram aos primeiros a missão de criar temas capazes de realçar, sugerir e até embaralhar passagens da ação que se passa na telona.






Algumas parcerias entre cineastas e músicos parecem tornar as carreiras quase indissociáveis, como a dobradinha Steven Spielberg/John Williams, cuja sintonia deu o tom certeiro para partituras consagradas de Jurassic Park, E.T. e Indiana Jones, entre tantas outras obras. Reza a lenda que a tensa música de Tubarão permitiu uma assombrosa economia para os produtores do filme, por sugerir a presença do bicho, sem necessariamente mostrá-lo.







Vale citar ainda a prolífica colaboração entre Tim Burton e Danny Elfman, que deu origem a uma das trilhas preferidas deste cinéfilo, Snow Dance, de Edward Mãos de Tesoura. Winona Ryder sai de casa à procura do excêntrico hóspede vivido por Johnny Depp, quando se depara com o sujeito fazendo o acabamento de uma peça em gelo.








Por falar em cenas memoráveis com trilhas idem, é difícil pensar em Sergio Leone sem lembrar do maestro Ennio Morricone. Man With Harmonica é uma das melhores composições já feitas para um western, que não por acaso, embala o duelo final de um dos maiores westerns de todos os tempos, Era Uma Vez No Oeste. A sequência dura pouco mais de dois minutos, e é realizada em tom apoteótico, fechando com chave de ouro um filme espetacular, e também este post.