sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Festival Internacional de Cinema Infantil


Os ventos estão favoráveis à realização de eventos cinematográficos na capital baiana, que hoje começa a receber mais um. O Festival Internacional de Cinema Infantil, que tem programação em dez cidades brasileiras, vai até 9 de outubro e exibirá curtas e longas animados e em live action no Cinemark. Alguns trabalhos já são conhecidos do público brasileiro, como Ponyo, do cultuado Hayao Miyazaki, e Eu Não Quero Voltar Sozinho, premiado curta do brasileiro Daniel Ribeiro. Outros são menos conhecidos e só costumam dar as caras mesmo em oportunidades como esta, incluindo produções da Holanda, Alemanha e Quênia, de onde vem Soul Boy - À Procura da Alma.

Mais informações aqui.










quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Direito ao Cinema: O Povo Contra Larry Flynt


Interessante iniciativa da Escola de Magistrados da Bahia e a Faculdade de Direito da UFBA. O projeto Direito ao Cinema faz exibição de filmes com posterior discussão que destaca os aspectos judiciais presentes na obra. Nesta sexta-feira, dia 30, vai ser exibido O Povo Contra Larry Flynt, de Milos Forman. A sessão gratuita começa às 19hs, tendo como palestrante o professor da Faculdade de Direito Ricardo Maurício Freire Soares. A coordenação científica é do professor da Faculdade de Comunicação e crítico André Setaro.

Mais detalhes aqui.










quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Mostra Feminino Plural


Termina amanhã, dia 29, a edição soteropolitana da mostra itinerante Feminino Plural, que exibe curtas dirigidos por mulheres. Amanhã, quatro obras ganham a tela da sala 4 do Unibanco Glauber Rocha. São elas Uma Primavera, Cão e Cores e Botas, todas de São Paulo, e Praça Walt Disney, trabalho de Pernambuco que fez sucesso em mostras pelo país e talvez seja o destaque da noite. A sessão começa às 19hs.

Mais informações aqui.











terça-feira, 27 de setembro de 2011

Quando a Neve Tornar a Cair


Quando a Neve Tornar a Cair (Days of Glory, EUA, 1944) Direção de Jacques Tourneur. Com Gregory Peck, Tamara Toumanova, Alan Reed, Maria Palmer, Lowell Gilmore.


Renato Cordeiro

A ascensão
de Gregory Peck em Hollywood, em boa medida, ocorreu por conta da Segunda Guerra Mundial. O esforço contra os nazistas recrutou alguns grandes astros da época, deixando o cinema estadunidense seriamente desfalcado. Só pra se ter uma idéia do problema, a extensa lista de nomes que serviram em batalha inclui Clark Gable, James Stewart, Henry Fonda, Charles Bronson, Lee Marvin, Ernest Borgnine e George C. Scott. Por causa de um problema na coluna, Peck acabou dispensado, mas por ironia, o ator então conhecido no teatro noviorquino ganhou a chance de estrear em um longametragem que serve justamente como propaganda de guerra.

O trabalho já começa em tom cerimonioso, apresentando o elenco que dá vida a um grupo de guerrilheiros empenhados em conter o avanço nazista. O esconderijo dos partisans está em uma posição estratégica e permite várias ações de sabotagem contra as tropas alemãs, com direito a explosões e combates cujos efeitos impressionam, considerando-se a época. Peck, aos 28 anos, faz o líder do bando, Vladimir. A rotina do grupo muda quando passam a acolher Nina, papel que se confunde com a própria intérprete, a bela Tamara Toumanova, que era também uma bailarina russa. A presença da artista serve como um elo entre os combatentes e o espectador, que ainda não os conhece.

O empenho em evitar rejeições por parte do público e a própria natureza propagandista parecem ser o motivo para um dos problemas da história: os personagens unidimensionais. Antes de mostrar Vladimir pela primeira vez, o filme sugere que é um sujeito que mantém a disciplina dos companheiros com severidade, mas logo o bom-mocismo que se tornaria típico dos personagens de Gregory Peck toma conta do papel, parecendo ser calculada para não criar antipatia no espectador. E se a idéia era fazer da bailarina um contraponto para a vida brutal dos guerrilheiros, o efeito não se sustenta, uma vez que eles se mostram capazes de recitar poemas e até cantar juntos, enquanto Nina, por sua vez, se une ao esforço de guerra de forma voluntária.

É interessante reparar ainda como os personagens mais parecem estadunidenses do que russos, já que até a gestualística e os discursos patrióticos combinam direitinho com aqueles que nos acostumamos a ver em produções da Terra do Tio Sam. Na cena em que o grupo toma a tradicional sopa borscht, mais parecia que a mesa tinha uma torta de maçã. O romance meloso e previsível que se dá entre os protagonistas também compromete, e seria um dos elementos convidativos à revisão em um eventual remake deste filme, que em vários momentos parece perto de ser bom, mas acaba mesmo no meio do caminho.

Nota: 5,0 (de dez)










segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A Luz é Para Todos


A Luz É Para Todos (Gentleman's Agreement, EUA, 1947) Direção de Elia Kazan. Com Gregory Peck, Dorothy McGuire, John Garfield, Celeste Holm, Anne Revere, June Havoc, Albert Dekker, Jane Wyatt, Dean Stockwell.


Renato Cordeiro

A Luz É Para Todos é um filme refém do discurso e, apesar do bom plot, não é espetáculo dos mais interessantes. O roteiro é contaminado por situações forçadas e um ufanismo daqueles típicos do cinema estadunidense, comprometendo a obra vencedora de 3 Oscars. Uma das estatuetas foi para as mãos de Elia Kazan, cineasta que faz aqui um trabalho apenas correto.

Gregory Peck, especialista em interpretar homens de nobre caráter que se propõem a ser a palmatória do mundo, compõe sem esforço o jornalista Phil Green, às voltas com uma série sobre anti-semitismo. A relevância do tema pode ser estranha para os brasileiros, que pouco contato têm com a cultura judaica e correlacionam a discriminação a uma questão de cor de pele. De todo modo, o filme assume que, nos States, a coisa era séria. Piadas veladas, restrição de acesso a estabelecimentos e outras hostilidades passam a ser vivenciadas pelo proprio repórter quando ele resolve se colocar no lugar dos judeus, fazendo-se passar por um deles.

A idéia central funciona bem e opera em dois planos da realidade, dentro e fora da obra. A estratégia de Green de usar a si mesmo como referencial para a compreensão do problema permitirá que seus amigos, colegas e leitores possam também se colocar no lugar do profissional, e por tabela, na pele dos judeus. Em paralelo, o efeito também se fará sentir no espectador da obra, que vê em Peck o bom moço com o qual metade da raça humana gostaria de se identificar, renunciando ao acordo de cavalheiros que serve de título original ao filme.

É bem verdade que Gregory Peck falha em alguns momentos nos quais o protagonista se enfurece, como quando confronta a própria secretária pela última vez. A voz poderosa e os gestos do ator são eficientes, mas os olhos não parecem acompanhar a cena.
Dorothy McGuire, como o par romântico, cria um personagem interessante que estabelece inesperados conflitos com o jornalista, mas a interpretação algo datada investe em uma voz excessivamente sussurada e melosa. John Garfield, ator de destaque na época, vive com desenvoltura e carisma o amigo judeu que serve como uma espécie de tradutor dos sentimentos que passam a ser vivenciados por Green. Mas quem rouba todas as cenas é Celeste Holm, no papel da amiga que se revela mais complexa do que se poderia pensar à primeira vista, dando a entender o alto preço que se paga por um comportamento liberal. Levou um merecido Oscar de coadjuvante.

Infelizmente, algumas situações retratadas no roteiro parecem por demais gratuitas, a exemplo de uma cena com o médico da família de Green. O filme começa a perder força à medida em que resvala em pieguices e patriotadas, sendo que a direção morna não ajuda. Difícil não pensar na ironia de ver uma obra que faz uma defesa tão apaixonada pelos direitos civis na terra do Tio Sam, sendo que depois o mesmo cineasta se associaria com o governo estadunidense na perseguição a tantos artistas acusados de serem comunistas. Faça o que eu digo...

Nota: 6,0 (de dez)










domingo, 25 de setembro de 2011

Inception Soundtrack


Renato Cordeiro

A Origem foi um dos melhores longas de 2010, ainda que alguns torçam o nariz quando uma declaração do tipo é dirigida a um trabalho mais popular, como este filme de ação sci-fi. Christopher Nolan comandou
uma trama complexa e criativa com boa dose de surrealismo, dando origem a cenas espetaculares. Tudo na produção é muito bem orquestrado, incluindo a montagem que desenvolve um equilíbrio dinâmico em diferentes planos da realidade. E a trilha sonora também cumpre o papel que lhe cabe.

Hans Zimmer, que por vezes é apontado como um profissional menor entre os compositores de trilhas sonoras, fez aqui um dos melhores trabalhos. As partituras do alemão reforçam a atmosfera de sonho e angústia desenvolvida por Christopher Nolan, com quem já havia trabalhado em Batman Begins e The Dark Kinight. O investimento em sons eletrônicos mesclados à orquestra, em especial os metais, lembra Vangelis, um músico que revolucionou o segmento com o uso de sintetizadores em trilhas sonoras. Assim, Conquest of Paradise, feita pelo grego para
1492 - A Conquista do Paraíso, encontra contraponto em Time, que encerra A Origem com chave de ouro. É claro, encontraremos ainda ecos de Blade Runner - O Caçador de Andróides, excetuando-se, claro, Love Theme, a mais famosa música do longa de Ridley Scott

Outro elemento que se encaixa muito bem é a guitarra, que se faz presente em faixas como One Simple Idea. Por vezes abafado, o instrumento não apenas acentua o aspecto onírico do longametragem como realça a melancolia do protagonista, nas passagens nas quais recorda um antigo amor. Mombassa marca a conturbada visita de Cobb, líder dos assaltantes, a Eames, o falsificador. É um tema mais forte, percussivo, célere, mais cinema de ação, que bebe na fonte do próprio Zimmer, lembrando alguns trechos de The Chase e Rocket Away, escritas por ele para A Rocha.

Existem scores que você pode ouvir no carro como se fosse um álbum de música "normal", enquanto outros, como a trilha de A Origem, tendem a perder muito do impacto fora da apreciação do longa, muito em função do ambiente surreal que as partituras sugerem. Ainda assim, mesmo não sendo obra de gênio, escapa da sonoridades mais manjadas que se ouve em outras trilhas.

Abaixo, você confere um making off da produção da soundtrack e uma apresentação de Mombassa na première de
A Origem. Para ler as resenhas de Bee e Renato Cordeiro sobre o filme, clique aqui.















sábado, 24 de setembro de 2011

"Atuar é mentir", por Marlon Brando.



O senhor Brando era conhecido por comentários fortes que escapam ao lugarcomum. Nesta entrevista de 1973, ele disse o que pensa a respeito do próprio ofício, entendendo que não há diferença entre atuar e mentir. "Não sobreviveríamos um segundo se não fôssemos aptos a atuar. Atuar é um mecanismo de sobrevivência".













sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Grandes franquias do horror

Sempre à procura de desculpas esfarrapadas, o BF aproveita a estréia de Premonição 5 para lembrar de algumas das grandes franquias do cinema de horror. Algumas melhores, outras piores, quase todas descaradamente tentando em algum momento lançar novos capítulos só pra arrancar seu dinheiro. E não é que dá certo?




À Meia-Noite Levarei Sua Alma, 1963
O maior nome do terror tupiniquim, José Mojica Marins, deu vida e morte ao personagem Zé do Caixão neste longametragem cascagrossa e premiado. A franquia do psicopata sádico e tarado teve como mais novo exemplar o filme Encarnação do Demônio, do mesmo diretor do curta Amor Só de Mãe.

A Noite dos Mortos-Vivos, 1968
O filme que traumatizou irreversivelmente os chamados filmes de zumbi, de tal forma que George Romero acabou sendo considerado o pai do gênero. Na verdade, ele definiu as bases, como as contaminações por mordidas, as metáforas sociais e as situações de confinamento diante de um apocalipse de desmortos. Ótimo como idéia, não tanto quanto cinema. Teve cinco continuações, dois remakes e várias imitações.



O Exorcista, 1973
Se as duas sequências do filme de William Friedkin não superaram o original, o conturbado prequel foi ainda pior. De tão insatisfatório, o longa de Paul Schrader foi engavetado quando já estava pronto, e resolveram refazer o filme inteirinho, agora sob comando de Renny Harlin, o mesmo de A Hora do Pesadelo 4. A emenda foi considerada pior que o soneto, e as duas versões não se destacaram nem no mercado de DVD's.

O Massacre da Serra Elétrica, 1974
O filme sobre uma família de psicopatas teria feito Tobe Hooper deslanchar a carreira de cineasta, que acabou indo ao fundo do poço gradualmente. Teve três sequências, sendo que o quarto capítulo, O Massacre da Serra Elétrica - O Retorno, tem cara de ser a maior bomba do século, com direito a pagação de micos dos então desconhecidos Renée Zellweger e Matthew McConaughey. Houve ainda um remake e um prequel.



A Profecia, 1976
Gregory Peck adota uma criança e acaba levando o capeta pra casa. Trilha poderosa de Jerry Goldsmith, lendas sobre uma maldição que explicaria tragédias ocorridas com os responsáveis pelo filme e engenhosas cenas de morte que lembram bastante uma franquia posterior, Premonição. Teve três sequências cada vez piores e um remake em 2006.

Halloween - A Noite do Terror, 1978
O psicopata silencioso, sobrenatural e mascarado Michael Myers é ainda hoje apontado por alguns como uma cópia do Jason Vorhees de Sexta-Feira 13, embora o assassino de Crystal Lake só tenha chegado aos cinemas dois anos depois. O filme de John Carpenter revelou Jamie Lee Curtis, além dos seios da atriz que se tornou musa dos fãs do horror. Teve sete continuações e um remake dirigido por Rob Zombie.



Evil Dead - A Morte do Demônio, 1981
Com pouco dinheiro, muito sangue e criatividade, o produtor Robert Tapert, o diretor Sam Raimi e o ator Bruce Campbell fincaram os nomes no cinema de horror ao contar a história de cinco amigos que são possuídos por forças demoníacas em uma cabana isolada no Tennessee. Premiado e cultuado, revelou o cineasta que assinaria Homem-Aranha e arrancou elogios de uma autoridade em terror, Stephen King. Teve duas sequências, sendo Evil Dead 2 um terror mais cômico e Army of Darkness um intrigante pastelão.

Sexta-Feira 13, 1981
A cinessérie sobre o assassino de Crystal lake é provavelmente a mais longeva e prolífica do cinema de horror: teve nove sequências, com mais baixos que altos. Os capítulos seis e nove são os melhores, enquanto Jason X é tão ruim que entrou no seleto grupo dos filmes que não consegui assistir até o final. Já o remake é bacana, assim como o crossover Freddy Vs Jason. Curiosidade: Kevin Bacon, antes da fama, é um dos jovens que correm perigo em Crystal Lake, no primeiro filme.



Poltergeist - O Fenômeno, 1982
O segundo filme mais conhecido do diretor de O Massacre da Serra Elétrica, ainda que haja rumores de que Tobe Hooper estava tão drogado nos sets que o próprio produtor Steven Spielberg arregaçou as mangas e comandou a maior parte do longa. Teve duas continuações e ainda hoje a franquia é conhecida como "maldita", já que depois de cada capítulo, morriam algumas pessoas do elenco. Drew Barrymore deve ter ficado feliz por não ter conseguido o papel da menininha que é protagonista dos filmes.

A Hora do Pesadelo, 1984
Filme que tirou o sono de muita gente nos anos 80. O longa traz a história de um assassino que ressurge como um tipo de espírito capaz de invadir os sonhos dos jovens da Rua Elm e matá-los de formas horripilantes. Robert Englund ficou marcado no papel de Freddy Frueger. Curiosidade: primeira aparição de Johnny Depp no cinema. Teve seis sequências, um remake e um crossover, o filme Freddy Vs Jason, no qual o sujeito enfrente o monstro de Sexta-Feira 13.



Reanimator - A Hora dos Mortos Vivos, 1985
O longa de Stuart Gordon adapta a história de H.P. Lovecraft. O estudante de medicina Herbert West busca derrotar a morte e desenvolve um soro capaz de reanimar os mortos, o que torna a vida do seu colega Dean Cain um inferno. Teve uma continuação razoável e bem mais gore em 1990, com direção de Brian Yuzna, e um terceiro exemplar, absolutamente ruim.

Hellraiser - Renascido do Inferno, 1987
A adaptação dos quadrinhos de Clive Barker tratam de uma caixa mágica que é uma tenebrosa caixinha de surpresas, abrindo uma passagem para que demônios sádicos conhecidos como cenobitas entrem em nosso mundo. Sete sequências foram produzidas, nenhuma com a repercussão do original.



Pânico, 1996
Autorreferência é o forte deste filme que fez o diretor Wes Craven deixar de ser conhecido apenas como o diretor de A Hora do Pesadelo. Um psicopata mascarado mata jovens utilizando elementos clássicos dos filmes de horror. Em 2011, chegou às telas o quarto longametragem da série e, apesar das boas críticas, teve passagem discreta nos cinemas.

Premonição, 2000
Um rapaz percebe presságios de um acidente aéreo e acaba evitando que alguns colegas se tornem vítimas da tragédia. A morte não deixa barato e começa a dar seus pulos pra levar todos pro caixão. Mortes criativas e bom ritmo no filme que iniciou uma série de longas, no mínimo, irregular. A franquia teve quatro continuações e não deve terminar tão cedo.

Jogos Mortais, 2004
Sadismo, sangue e jogos doentios dão o tom do filme que apresentou o psicopata Jigsaw, um sujeito que tem uma visão muito particular do que é um discurso motivacional para quem não anda aproveitando a vida. Teve nada menos que seis sequências, quase uma por ano, tendo a mais recente recebido o título Jogos Mortais - O Final. Difícil acreditar.










quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Amor Extremo


Amor Extremo (The Edge of Love, Reino Unido, 2008) Direção de John Maybury. Com Keira Knightley, Sienna Miller, Cillian Murphy, Matthew Rhys, Simon Armstrong.


Renato Cordeiro

Fazer de Dylan Thomas um personagem coadjuvante é um luxo que seria compreensível, se a amizade entre a cantora que ele amava e a esposa do escritor fosse bem explorada em Amor Extremo. Mas o drama sobre duas mulheres à frente de seu tempo e o retângulo amoroso do qual tomam parte simplesmente não cativa, apesar da delicadeza da direção e fotografia. Os personagens masculinos, mais interessantes, acabam salvando o longametragem.

Vera Phillips conheceu Dylan Thomas quando ainda eram garotos, e manteve o sentimento pelo homem que reencontra já casado, sendo declaradamente correspondida pelo sujeito boêmio. Apesar da tensão romântica entre os dois, a esposa, Caitlin, se identifica com a moça e a simpatia vai crescendo.
A cumplicidade que previne a infidelidade é posta à prova quando o marido de Vera, o soldado William, é convocado para o combate. E é quando o filme, que até então era ao menos um drama correto, vai se tornando algo aborrecido.

De um lado, Amor Extremo se dedica à amizade entre as protagonistas, com direito a belas cenas que simulam imagens desbotadas, apesar da trama em si não despertar muito interesse.
O problema, talvez, seja o fato de que as duas protagonistas são desprovidas de outra motivação que não o amor que sentem pelo mesmo homem. O casamento de Vera, vivida por Keira Knightley, é mostrado como uma espécie de fuga ou compensação pela sensação de incompletude que toma conta ao ver o casal que se hospeda em sua casa. A carreira de cantora parece apenas um lugar de afirmação da própria independência, algo que, em Caitlin, interpretada por Sienna Miller, se traduz pelo jeito transgressor.

A Segunda Guerra é o pano de fundo para a tensão que se desenvolve entre Vera e os agora vizinhos, Dylan e Caitlin. Mas em vez de ser usado como um momento de niilismo propulsor de uma traição iminente, o conflito é reduzido aos seus efeitos mais particulares, a saber, a espera de Vera pelo retorno do marido. A decisão reflete o próprio espírito escapista do trio que quer distância da tragédia da qual William participa. Não deixa de ser irônico, neste sentido, o papel de Dylan Thomas, boêmio que não pisa no campo de batalha, mas é o responsável por escrever a propaganda de guerra. O papel é bem defendido por Matthew Rhys, que chega a despertar um lamento por estar em segundo plano.

Já William, personagem de Cillian Murphy, seduz Vera não apenas com o jeito seguro e protetor, como também mostra-se claramente capaz de disputar o coração da jovem com as mesmas armas do rival. Ele declama poesias em diversos momentos do filme, até finalmente se dar conta da realidade da guerra, conhecimento que não vem sem sacrifício. Se Amor Extremo fica a desejar como drama romântico, serve ao menos como um pequeno tratado sobre a fragilidade do mundo particular que se pode erguer em uma realidade doentia.

Nota: 6,0 (de dez)