quinta-feira, 31 de maio de 2012

Christopher Lee - 90 anos


Daniel Fróes

O ator britânico Christopher Lee completou no último dia 27 nada mais nada menos que 90 anos de idade. Segue aqui uma nano retrospectiva da carreira do ator.

Primeiro, o rapaz mantêm o recorde do Guiness de mais aparições em créditos de filme na história. Não é pouca coisa. Na sua lista de filmes do IMDB (Internet Movie Database - imdb.com) constam 276 filmes, sendo que alguns estão EM ANDAMENTO (ele vai ser Saruman em O Hobbit).

Pra aumentar seu nível de awesomeness, ele é cantor, e no dia do seu aniversário lançou uma música de Heavy Metal intitulada Let legend mark me as the King (ele lançou um disco de Heavy Metal em homenagem a Carlos Magno, By the Sword and the Cross, em 2010).

Sua primeira atuação no cinema foi em 1947, e ficou famoso por trabalhar em filmes de terror, como no papel de monstro no filme The curse of Frankenstein (1957), no papel de Drácula no filme Horror of Dracula (1958), no papel de múmia em The Mummy (1959).

Já interpretou Sherlok Holmes, Mefistófeles e Lúcifer (o diabo), piratas, vampiros, condes, reis, vilões orientais, Dr. Jekyll, inimigo de James Bond (O Homem com a Pistola de Ouro), Rasputin, e até mesmo Morte, do universo de Discworld (num curta-metragem). Ele trabalhou em filmes de horror e terror, em comédias, em épicos, filmes de aventura, de ação, de espionagem.

Seus trabalhos mais aclamados recentemente foram nas trilogias Senhor dos Anéis e Guerra nas Estrelas (a nova trilogia). No primeiro, ele interpretou Saruman, o branco. No segundo, o famigerado conde com nome dúbio. Trabalhou em cinco filmes de Tim Burton, incluindo o novo Dark Shadows, e voltará a interpretar Saruman, como dito acima, em O Hobbit.

Ele também é bastante procurado para ser ator de voz de diversos personagens (de filme e video game), tendo cantado em duas trilhas sonoras distintas (The Wicker Man e The Return of Captain Invincible).

O rapaz também é Cavaleiro da Rainha da Inglaterra, tendo recebido a Ordem do Império Britânico em 2001.

Vale dar uma olhada na página dele da Wikipedia.

E não, ele não é parente de Stan Lee. Ou Rita Lee. Ou Bruce Lee.

Parabéns, Sir!










quarta-feira, 30 de maio de 2012

Os Vingadores


Os Vingadores (The Avengers, EUA, 2012)
Direção: Joss Wheldon (Serenity)
Roteiro: Joss Wheldon (Toy Story, Alien: Ressurrection, Titan AE, Serenity, A Cabana na Floresta) e Zak Penn (Inspetor Bugiganga, Atrás das Linhas Inimigas, Incrível Hulk)
Com: Robert Downey Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Tom Hiddleston, Clark Gregg, Samuel L. Jackson, Gwyneth Paltrow.



Daniel Fróes

Os vingadores é o ponto final de um plano de marketing.

As franquias de Capitão América, Thor, Homem de Ferro e Hulk (esta última, de forma menos eficiente, passando por um reboot) foram criadas já pensando num produto final - o filme Os Vingadores.

Com exceção de Hulk, que teve problemas graves de formatação, encontramos no filme os heróis (e vilão) tal qual foram apresentados em seus filmes de origem, com pequenas evoluções decorridas do tempo entre as aventuras. Tony Stark ficou mais sério e menos bagunceiro (pra possibilitar existir alguma chance de ele se adequar à equipe) mas continua impertinente, piadista e irresponsável (sem contar auto-confiante); Thor continua um bobão de bom coração e Capitão América continua… Capitão América. Nick Fury também está compatível com os outros filmes, assim como sua equipe. Isso é um ponto positivo.

O filme não tem exatamente um roteiro maravilhoso - vilão pega grande força mágica dos mocinhos, que passam o filme tentando recuperá-la. Vilão usa força mágica pra trazer possível derrota aos mocinhos. Mocinhos brigam entre si. Mocinhos se juntam e vencem vilão, sem grandes perdas - mas os filmes anteriores também não têm.

Como só um problema de nível mundial poderia forçar a união entre estes personagens, o escolhido pra ser vilão foi o irmão de Thor, Loki. Que ou é incrivelmente poderoso e burro, ou é cercado por idiotas que o deixam fugir e ficar pegando objetos mágicos por aí. Eu votaria nas duas opções.

Pensando nesse assunto, Loki deve ter uma lábia muito boa. A todo momento alguém com um poder muito grande em mãos resolve, em vez de usar esse poder, dá-lo a Loki para que ele faça bom uso. Vai entender.

Como estamos falando de uma adaptação de gibis, o filme traz problemas inerentes ao gênero, como por exemplo, força a barra para manter o grupo unido. Com isso não quero dizer que Tony Stark não faria parte do grupo ou algo assim (é mais estranho Batman fazer parte da Liga da Justiça do que Tony Stark fazer parte dos Vingadores). Estou me referindo a total e completa diferença entre os níveis de poder das personagens - coisa muito difícil de lidar em qualquer história envolvendo super-heróis.

O filme tenta forçar a barra equivalendo os poderes de Homem-de-Ferro, Thor e Capitão América. Não dá. Homem-de-Ferro (HF daqui pra frente) possui uma armadura realmente poderosa, que deixa CA (Capitão América) literalmente no chinelo, mesmo com seu super-ultra escudo. CA é um homem no topo das capacidades físicas humanas, mas nenhum humano é imune a um tiro de .45. Nem tem força para levantar um tanque.

Se CA já é infinitamente inferior, em termos de poder, a HF, quem dirá a Thor, que é muitas vezes superior a HF. Há uma discrepância muito grande aí. E isso me incomodou muito.

Agora, se isso é um problema entre esses três, eu me pergunto: que diabos Viúva Negra e Gavião Arqueiro estão fazendo no campo de batalha contra alienígenas fortões com super tecnologia bélica? Desculpem, mas não dá pra engolir. Como se diz na Bahia, dois altos, por favor. Estes personagens são interessantes, e poderiam ter sido muito bem utilizados de outras maneiras (como foram, em parte do filme). Mas colocar eles no front é pedir muito para o senso de realidade do espectador. Me lembro da cena em que (SPOILER ALERT, mas é fraquinho) VN pede que CA a jogue para o alto, para que ela intercepte uma nave alienígena em alta velocidade. Se um ser humano parado é atingido por um automóvel a 50 km/h, ele provavelmente terá diversas fraturas pelo corpo todo, se não morrer. O que aconteceria se uma pessoa colidisse com um bólido extremamente denso com velocidade superior a 100 km/h? Pois é (FIM DO SPOILER).

Outro problema grave do filme é o Deus Ex Machina, ou como se diz em bom rpgês, a mão do mestre. Aconteceu duas vezes, e é claro, a favor dos mocinhos.
A primeira foi quando (SPOILER ALERT) nosos amigo Loki encostou a lança em Tony Stark, para dominar sua mente, e não conseguiu por causa do seu Capacitor de Fluxo Peitoral (eu sei que aquilo não é um capacitor de fluxo, calma). Simplesmente não faz sentido. Não funcionou porque dissipou a energia no Capacitor? Ok, ele usa em outra parte do corpo. Tem que ser no coração? Ok, então eu vou te matar, Tony Stark. Ponto.

A segunda foi quando (AINDA TEM SPOILER) Banner chega no campo de batalha (ou seria na urbes de batalha? Fiquei confuso agora), e se transforma em Hulk "porque sim". Desculpe galera, mas não dá pra engolir essa não. Demitam esse roteirista, por favor. 

E finalmente (MAIS SPOILER) temos a batalha final, que é um enorme Deus Ex Machina sem fim. Principalmente em se tratando dos bichões gigantescos voadores - o primeiro se mostra dificílimo de destruir, os outros dois não passam de um origami de tão fácil que morrem. E os soldados rasos, que são gigantes, fortes e rápidos, são derrotados numa facilidade impressionante. Até GA consegue fazer um deles VOAR com um chute. Pois é (FIM DO SPOILER).

Claro, NÃO É ISSO QUE IMPORTA. Num filme desses, mais importante é se divertir. É verdade que ele seria mais completo se conseguisse fazer tudo ao mesmo tempo - ser coerente, ter um roteiro genial, ser bem feito e bem dirigido, e ser divertido. Isso é muito difícil. Mas o objetivo principal é alcançado.

Contudo, vale ressaltar: o filme é muito leve, é feito para jovens e crianças, não tem a densidade que Batman - The Dark Knight teve, por exemplo. É uma opção. Eu sempre acho que um pouco de densidade ajuda, mas não é obrigatório. Claro, segue a lógica dos outros filmes, então tem o mérito de ser coerente. Os filmes individuais dos heróis também são bem leves, sem grande densidade.

O filme é divertido. Muitas tiradas legais (algumas poderiam ter sido tiradas do filme, mas tudo bem), muita ação, excelentes efeitos especiais. A batalha final é chata, mesmo, mas não destrói o filme. Tem tensão, tem personagens interessantes, tem umas culhudas legais de se ver (culhuda = mentira, pra quem não sabe). No final, o saldo é positivo.










segunda-feira, 28 de maio de 2012

O Mestre da Vida


O Mestre da Vida (Local Color, EUA, 2006) Direção: George Gallo. Com Armin Mueller-Stahl, Trevor Morgan, Ray Liotta, Charles Durning, Samantha Mathis, Ron Perlman, Diana Scarwid, Julie Lott, Tom Adams.


Renato Cordeiro

O Mestre da Vida faz a linha de filmes sobre professores relutantes, que tem entre outros exemplares Procurando Forrester, com Sean Connery, e O Homem Sem Face, com Mel Gibson. Mueller-Stahl vive o recluso pintor Nicholi Seroff, russo que domina a arte representativa e se vê alvo de insistentes pedidos de um jovem artista em busca de conhecimento. Acaba aceitando ter o rapaz como aprendiz e hóspede em uma casa no campo onde se passa a maior parte da história, que é apresentada como semiautobiográfica: o aspirante John Talia está para o diretor e roteirista George Gallo assim como Seroff está para o russo George Cherepov, que foi mentor de Gallo nos anos 70.

O longa resgata memórias de Talia sobre o retiro de estudos com seu professor em uma paisagem convidativa à inspiração. Como seria de se esperar em um projeto como este, a beleza natural em torno dos protagonistas é capturada pelas câmeras de Gallo de modo a fazer jus àquelas emolduradas pelos personagens. Não causa surpresa, assim, que o diretor de fotografia do filme, Michael Negrin, seja também o narrador da história, como a versão madura de John Talia. O alter ego do protagonista, o diretor George Gallo, também ele pintor, é responsável por boa parte das peças apresentadas no longametragem.

O Mestre da Vida é até um bom filme, mas escorrega feio quando mergulha em uma trôpega dialética. Para valorar aquilo que une os protagonistas, a arte representativa, o roteiro sabota as falas e atitudes daqueles que defendem a arte progressiva, fazendo que com torne-se feia, sem sentido e presunçosa. A atuação de Ron Pearlman, exalando desdém como um amigo de Seroff, denuncia a maneira pejorativa como o projeto apresenta este tipo de arte, ou não-arte. Boa parte da produção associada a esse segmento pode até não valer um níquel furado, mas é uma pena que a película não aborde essa oposição de forma mais qualificada.

Nota: 7,0 (de dez)












sábado, 12 de maio de 2012

As Donas da Noite


As Donas da Noite (Wir sind die Nacht, Alemanha, 2010). Direção de Dennis Gansel. Com Karoline Herfurth, Nina Hoss, Jennifer Ulrich, Anna Fischer, Max Riemelt, Arved Birnbaum, Steffi Kühnert.


Renato Cordeiro

Enquanto alguns bons filmes de vampiro foram produzidos fora da Terra do Tio Sam, a Alemanha pariu um dos exemplares mais fracos dos últimos anos, considerando aqueles que tiveram uma produção mais significativa. Foram 6,5 milhões de euros gastos em uma produção que costura alguns maneirismos próprios de um segmento já muito maltratado do cinema de horror. Se, numa comparação forçosa, Deixe Ela Entrar corresponde a Entrevista com o Vampiro, então As Donas da Noite equivale a Anjos da Noite.

Um dos vários problemas desta produção é a construção preguiçosa de Lena, a protagonista. Pouco sabemos e pouco saberemos ao longo do filme sobre esta jovem maltrapilha que se torna objeto de desejo de Louise, a líder de um trio de vampiras, que reconhece na personagem um amor do passado. A trama não oferece algo sobre a garota que faça o espectador compreender ou se importar com o peso dos acontecimentos vividos por ela. Por exemplo, não soa convicente a crise de consciência que aos poucos toma conta de Lena quando se torna imortal e entra numa espiral de boemia sanguinária e transgressora. O remorso que se abate sobre a nova vampira parece atender apenas às necessidades imediatas de um roteiro que não demonstra qualquer traço de criatividade.

As Donas da Noite sequer consegue esboçar alguma provocação. Cria um clima homoerótico entre Lena e Louise, mas não o desenvolve. Dá para a antiga Lena um ar de junkie maltrapilha, mas não nos leva a descer com ela ao inferno que o filme tenta nos convencer que era a sua vida humana. Improvisa um romance entre a protagonista e o policial que não é explorado o suficiente para dar peso às inseguranças na semivida que Lena abraçou. Enquanto isso, o longametragem deixa de se dedicar a alguns elementos interessantes das companheiras de grupo, a exemplo da vampira que tem como filha uma mortal em idade avançada.

Em As Donas da Noite, a forma é tão desgastada quanto o conteúdo. A razoável sequência inicial, dentro de um avião, não encontra paralelos ao longo do resto da projeção. Se você gosta de filmes sobre vampiros e busca algo interessante feito fora dos EUA, vai encontrar aqui uma dupla decepção. Uma produção que, além de ruim, emula o que há de pior na parte do cinema estadunidense que se vende como sendo de horror.

Nota: 3,0 (de dez)










terça-feira, 1 de maio de 2012

O Incrível Hulk


O Incrível Hulk (The Incredible Hulk, EUA, 2008). Direção de Louis Leterrier. Com Edward Norton, Liv Tyler, Tim Roth, William Hurt, Tim Blake Nelson, Ty Burrell, Christina Cabot, Peter Mensah, Lou Ferrigno, Paul Soles, Débora Nascimento, Greg Bryk, Chris Owens, Al Vrkljan, Adrian Hein, Robert Downey Jr. 


Renato Cordeiro

Tudo novo. O longa-metragem começa com a nova origem do monstro que atormenta o cientista Bruce Banner, agora vivido por Edward Norton. É uma rápida apresentação. A idéia não é fazer um "filme de origem", mas deixar claro que não se trata de uma continuação do criticado Hulk, dirigido por Ang Lee em 2003. Os produtores resolveram apostar na pancadaria e deixar a cerebração um tanto de lado - e ainda assim funcionou.

Na história, o atormentado Bruce Banner é mostrado em sua vida de isolamento, tentando achar uma cura para não mais se transformar em um monstro verde quando se enfurece ou é submetido a situações de tensão. Mas um acidente faz com que os militares estadunidenses descubram seu paradeiro e partam ao Rio de Janeiro em seu encalço. Que diabos faz um cientista em busca de paz parar em uma favela do Rio visivelmente violenta, não me pergunte. Mas as cenas de perseguição são boas.

Era o que os fãs queriam. Menos cerebração, boas cenas de ação, e de quebra, referências à mitologia dos gibis e à série estrelada pelo personagem nos anos 70. Espremidos entre uma pancadaria e outra, há uns poucos momentos dramáticos e uma boa química entre o par Norton e Liv Tyler. O ponto fraco, como costuma acontecer nestas adaptações, é a meia hora final. Tudo termina em porrada, como não poderia deixar de ser, afinal, é o Hulk. Mas a última luta é tediosa e causa constrangimento ver os coadjuvantes sem muito o que fazer no meio daquilo. Nada que comprometa mais um bom longa-metragem com personagens da Marvel Comics, que a exemplo do ótimo Homem de Ferro, agora produz as próprias adaptações. Até aqui, tudo bem.

Nota: 7,0 (de dez)


(Adaptado de texto de 18 de junho de 2008)















domingo, 29 de abril de 2012

Os Vingadores


Os Vingadores (The Avengers, EUA, 2012). Direção de Joss Whedon. Com Chris Evans, Robert Downey Jr., Chris Hemsworth, Tom Hiddleston, Scarlett Johansson, Samuel L. Jackson, Mark Ruffalo, Jeremy Renner, Clark Gregg, Cobie Smulders, Stellan Skarsgard, Gwyneth Palthrow.


Renato Cordeiro

Os Vingadores coroa com sucesso o plano de firmar personagens dos quadrinhos da editora Marvel no cinema pop. É um processo que já vem de longa data e que pôde ser percebido por elementos em comum de cinco produções, a partir de 2008: O Incrível Hulk, Thor, Capitão América - O Primeiro Vingador e os dois primeiros longas do Homem de Ferro. Cada um destes filmes, em maior ou menor grau, dialogavam com os demais e com o grande blockbuster que estava por vir, reunindo os heróis em uma mesma trama. E se pelo menos Thor e Homem de Ferro 2 ficaram bem a desejar, Os Vingadores, ainda que não seja memorável, é até divertido.

O plot é bobo e fácil de resumir: heróis com habilidades extraordinárias são convocados pelo governo dos EUA para dar cabo de uma ameaça alienígena que pode escravizar a humanidade. Nada diferente do que se vê nos quadrinhos dedicados a super-equipes. O diretor Joss Whedon, que redigiu o roteiro com base em história de Zack Penn, costura estes e outros clichês dos quadrinhos, a exemplo dos combates entre personagens que serão futuros aliados e o herói dado como morto no final da trama. Mas o que falta de criatividade narrativa sobra em boas sequências de ação, diálogos ágeis e bom-humor.

Por vezes, o filme mais parece uma comédia de aventura, já que todos os protagonistas conseguem espaço para alguma situação engraçada, com inevitável destaque para o Homem de Ferro de Robert Downey Jr., que tem a maior parte dos melhores momentos. Curiosamente, até o Hulk entra na ciranda de risos, tendo a truculência utilizada como pilar de uma condição de alívio cômico - por sinal, bem eficiente. A ação também tem destaque pela clareza da câmera de Whedon, que se revela um talentoso diretor para momentos de ação mais elaborados, embora tenha suas falhas. Entre as passagens mais interessantes, há um planossequência durante o combate final que intercala os integrantes da equipe. Entre os momentos ruins, estão algumas lutas ambientadas no escuro, especialmente aquela envolvendo Víuva Negra e Hawkeye, mais conhecido no Brasil pelo nome de Gavião Arqueiro.

Quando se pensa em filmes de super-heróis, difícil não lembrar do sucesso de X-Men 2, cuja trama envolve uma grande quantidade de mutantes da mesma editora em uma produção da Fox. Embora não tenha uma trama tão interessante, Os Vingadores chega à altura da performance deste longa de 2003, dando um pouco de espaço a cada um dos personagens e exercitando a interação entre os mesmos. A vantagem de Joss Whedon é que ele não tem de dedicar tanto tempo aos protagonistas, que já foram apresentandos no cinema. À excessão do Dr. Banner, alter ego do Hulk, todos são vividos pelos mesmos atores vistos nas telonas anteriormente. Por sinal, Mark Ruffalo compõe o cientista de forma ainda mais interessante em relação às performances de Eric Bana e Edward Norton, fazendo um trabalho de voz e uma economia gestual que sinalizam o perene grau de controle que exerce sobre a contraparte monstruosa.

Nota: 6,0 (de dez)









terça-feira, 24 de abril de 2012

O Homem Sem Face


O Homem Sem Face (The Man Without a Face, EUA, 1993). Direção de Mel Gibson. Com Mel Gibson, Nick Stahl, Margaret Whitton, Fay Masterson, Gaby Hoffmann, Geoffrey Lewis, Richard Masur, Michael DeLuise, Ethan Phillips, Jean De Baer, Jack De Mave, Justin Kanew.


Renato Cordeiro

A carreira de diretor de Mel Gibson pode ter um momento oscarizado como o ótimo Coração Valente e polêmico como A Paixão de Cristo, mas o começo foi exageradamente banal. Típica narrativa a abordar a relação preofessor-aluno, O Homem Sem Face carrega vários clichês do gênero, mas até que funciona. Por outro lado, se pudesse ser um pouco menos emotivo e um tanto mais ousado, o primeiro filme do astro como diretor poderia ser algo mais do que um aparente ensaio.

A trama mostra o jovem Chuck Norstadt às voltas com a preparação para uma prova que pode fazê-lo seguir os passos do falecido pai. Entre as preocupações dele estão as questões de latim, para as quais ele encontra como luz no fim do túnel o temido McLoad, um homem que vive sozinho em uma casa isolada da mesma pequena cidade. Aos poucos, o garoto consegue convencer o professor a dar aulas particulares, fazendo pequenos serviços em contrapartida. A amizade deles será ameaçada pelo preconceito passou a rondar a vidade de McLoad desde o acidente que deformou-lhe o rosto.
 
Um dos equívocos do filme reside no personagem vivido pelo próprio Gibson, que é bem mais complexo na obra na qual o longa se baseia, de autoria de Isabelle Holland. Se o ator-diretor não optasse por suaviza-lo, a reclusão do desfigurado ex-professor McLeod seria ainda mais compreensível e o filme fugiria mais facilmente das comparações com tantos outros que apresentam mestres relutantes. Não que uma produção tenha de fugir das fórmulas como o diabo foge da cruz, mas O Homem Sem Face não tem muito mais o que acrescentar. A coisa parece funcionar mais pelo bom desempenho do Gibson, que carrega o próprio filme nas costas.

Nota: 6,0 (de dez) 









  

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O Clube do Imperador


O Clube do Imperador (The Emperor's Club, EUA, 2002). Direção de Michael Hoffman. Com Kevin Kline, Emile Hirsch, Embeth Davidtz, Rob Morrow, Edward Herrmann, Harris Yulin, Paul Dano, Rishi Mehta, Jesse Eisenberg, Gabriel Millman, Chris Morales, Patrick Dempsey.


Renato Cordeiro

O senhor Hundert é um dedicado professor de História que busca inspirar os alunos de uma escola tradicional através das grandes realizações de homens como César, Augusto e Platão. Em dado momento da primeira aula, pergunta aos estudantes como a História se lembrará deles. E em uma trama tão envolvida no valor do mérito e da grandiosidade das conquistas humanas, o protagonista deixa claro que a própria realização está no desenvolvimento dos alunos. E assim como ocorreu com os grandes imperadores, a ambição que o motiva também pode arruiná-lo.

Como é típico de filmes sobre professores, O Clube do Imperador aborda a relação com o estudante como algo mais do que uma transmissão de conteúdos, mas também de valores. Vivido com o carisma de sempre pelo ótimo Kevin Kline, Hundert é um sujeito que nasceu em missão acadêmica: disciplinado, educado, tímido e meritocrático. Ele passa a medir forças com um novo estudante, Sedgewick Bell, o arrogante e orgulhoso filho de um influente senador. A relação, inicialmente difícil, vai ganhando contornos de respeito à medida que o rapaz começa a mostrar algum progresso e faz nascer no professor uma centelha de esperança.

O diretor Michael Hoffman faz aqui um trabalho de absoluta sobriedade, sem qualquer cena particularmente chamativa do ponto de vista técnico. O foco e os fortes são os atores, incluindo o ótimo jovem elenco. Temos aqui alguns nomes que viriam a ser mais conhecidos anos depois, como Jesse Eisenberg, de A Rede Social, Emile Hirsh, de Na Natureza Selvagem, e Paul Dano, de Sangue Negro. Uma curiosidade é a rápida participação de um ex-astro adolescente, Patrick Dempsey.

Nota: 7,0 (de dez)









sexta-feira, 16 de março de 2012

Prometheus TED

Ótima sacada. O novo filme de Ridley Scott, Prometheus, que marca a volta do cineasta ao universo de Alien, ganhou um vídeo viral que simula uma palestra em uma das consagradas conferências TED. O expositor é ninguém menos que Paul Weiland, empresário que é um dos personagens do filme. O discurso é aquele típico da sci-fi: o homem que busca superar os limites e favorecer um novo passo a ser dado pela humanidade. Pearce carrega um tanto demais na interpretação, mas até que pode funcionar.