sábado, 10 de setembro de 2011

Air Mag


Essa é para quem adora a trilogia De Volta Para o Futuro, ou pelo menos para os fãs do ator Michael J. Fox. A Nike lançou uma réplica do tênis usado por Marty McFly na segunda parte da cinessérie. São apenas 1500 pares do Air Mag. É preciso participar de um leilão no eBay, que termina no dia 18. Tentei acessar o site e parece que a procura anda alta...

O dinheiro arrecadado será destinado à Michael J. Fox
Foundation, entidade que financia pesquisas sobre o Mal de Parkinson, doença que o ator descobriu possuir nos anos 90. Abaixo, a entrevista de Fox para David Letterman, tratando da luta contra a doença e, claro, o Air Mag.













sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Gran Torino


Gran Torino
(EUA/Alemanha, 2008). Direção de Clint Eastwood. Com Clint Eastwood, Christopher Carley, Bee Vang, Ahney Her, Brian Haley, Geraldine Hughes, Dreama Walker.


Renato Cordeiro

Quando se descobriu que Clint Eastwood fazia um novo trabalho nos idos de 2008, a suspeita inicial era a de que se tratasse de um novo e último filme como o inspetor Dirty Harry. A confusão tinha sua razão de ser, já que o carrancudo
Walt Kowalski também é um sujeito hábil em lidar com a violência urbana. E se também é possível perceber semelhanças com outros tipos durões interpretados pelo californiano, existe uma profunda diferença na abordagem humana do herói de Gran Torino.

A trama começa bem, apresentando Kowalski no velório da esposa e logo depois um evento de luto na casa do agora viúvo. É evidente a aversão que os filhos e netos egoístas e insensíveis despertam no protagonista, que dá mais atenção à cadela da esposa, o belo Gran Torino 1972 parado na garagem e os vizinhos coreanos do bairro onde mora. A princípio, a aproximação com os chamados hmong é difícil, especialmente depois que um jovem da comunidade tenta roubar o valioso carro. Kowalski, a princípio relutante, passa a se tornar um mentor do rapaz e vai resgatando a paternidade que saiu dos trilhos no passado, um lamento que guarda em silêncio. Do mesmo modo, o veterano passa a conhecer e apreciar a companhia dos coreanos, que nada mais eram do que inimigos de guerra.

Sob diversos aspectos, a obra trata da busca por redenção, além de servir como um resumo da carreira do diretor-ator. Ainda que a contragosto, o protagonista é um samaritano, lembrando o padre de O Cavaleiro Solitário, remake de Eastwood para o clássico Os Brutos Também Amam. Já o fato de ter sido veterano da Guerra da Coréia remete imediatamente a O Destemido Senhor da Guerra. A viuvez do homem que ia à igreja só pra fazer companhia para a esposa equivale ao pistoleiro que tomou jeito em Os Imperdoáveis.

Embora a melhor interpretação de Clint ainda seja o tutor de Hillary Swank em Menina de Ouro, ele tem um trabalho superior como o veterano rabugento, demonstrando completo domínio sobre cada ruga da face desde o início do longametragem, quando observa os monstros nos quais os netos vem se tornando. A voz é um aspecto que chama a atenção pelo desgaste evidente, algo que Eastwood utiliza de forma competente para a composição do personagem, às vezes aborrecido e cansado, outras vezes assustador.

Enquanto diretor, Eastwood chega a ser bem explícito e por vezes piegas ao demonstrar a melancolia do personagem, quase sempre denunciada por closes no protagonista. Faz falta alguns planos mais abertos, especialmente nas cenas que se passsam na varanda da casa de Kowalski. Por outro lado, o cineasta compensa com momentos inspirados, como aquele em que o protagonista encara três marginais com mãos nuas e a sequência de imagens que intercalam os trabalhos desenvolvidos pelo jovem coreano com a supervisão de Walt. As imagens sinalizam que o sujeito obviamente mantém viva a crença na ética do trabalho e defende o valor dos homens à moda antiga.

Nota: 7,0 (de dez)


Abaixo, o clipe da música Gran Torino, com Jamie Cullum. Tambem é possível encontrar uma tocante versão com introdução de Clint Eastwood, a mesma que toca ao final do filme.













quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Arraste-Me Para o Inferno


Arraste-Me Para o Inferno (Drag Me to Hell, EUA, 2009) Direção de Sam Raimi. Com Alison Lohman, Justin Long, Jessica Lucas, Lorna Raver, David Paymer, Dileep Rao, Reggie Lee.


Renato Cordeiro

É bem verdade que Arraste-Me Para o Inferno está anos-luz à frente das asneiras do cinema de horror que vem ganhando os telões. Mas considerando o potencial do cineasta que sacudiu o gênero na primeira metade dos anos 80 e que conseguiu merecido respeito da crítica após Homem-Aranha 2, este novo filme de Sam Raimi fica devendo.

A trama tem foco em uma protagonista interessante, uma jovem bancária boazinha, pero no mucho. Ela deseja ganhar uma promoção, o que a leva a recusar um empréstimo para uma humilde senhora cigana que acaba se mostrando uma mistura de Baba Yaga com Chuck Norris. Para piorar, a velhinha entende de maldições, e faz com que a mocinha seja perseguida por demônios bem parecidos com aqueles da clássica trilogia Evil Dead, do mesmo diretor.

As semelhanças entre Arraste-me Para o Inferno e os três filmes estrelados por Bruce Campbell incluem ainda os enquadramentos alucinantes, o humor escatológico e até alguns elementos da trilha sonora. Até aí, seria o suficiente para garantir uma agradável sessão de cinema. Mas o cineasta Sam Raimi esqueceu (ou não se importou) com o fato de que, às vezes, é importante não entregar a compreensão total das cenas, de mão beijada, ao espectador. Ele investe, desde o começo do longa-metragem, em pequenas tomadas desnecessárias, que levam o espectador mais atento a antecipar diversos momentos da projeção - um problema particularmente indesejável em um filme de horror.


É um trabalho funcional, vale reconhecer. O diretor não perdeu o jeito e dosa bem os momentos de humor, além de ter bom domínio dos clichês do gênero, como os sustos favorecidos por rápidas intervenções da trilha sonora. Não são recursos dos mais originais, mas dão certo. Talvez essa nota aí embaixo seja mais um pequeno protesto de quem sabe que Sam Raimi tem muito mais a oferecer.

Nota: 6,0 (de dez)

(escrita em 16 de agosto de 2009)










quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Escorregando para a Glória


Escorregando para a Glória (Blades of Glory, EUA, 2007) Direção de Josh Gordon e Will Speck. Com Will Ferrell, Jon Heder, Will Arnett, Amy Poehler, Jenna Fischer, William Fichtner, Craig T. Nelson, Romany Malco, Nick Swardson, Scott Hamilton, Andy Richter, Greg Lindsay, Rob Corddry.


Renato Cordeiro

O pôster não é lá muito convidativo, o título brasileiro é sofrível e o produtor é o mesmo do irregular Com a Bola Toda. Motivos de sobra para o espectador desistir de ver Escorregando Para a Glória. Mas ainda que seja outra paródia d
o mundo do esporte, o filme apresenta resultados bem superiores, graças a uma história adequadamente esdrúxula, que tira bom proveito dos atores principais. É um daqueles trabalhos que faz por merecer o selo "não mudará sua vida, mas diverte".

Dois grandes patinadores de gelo se vêem obrigados a unir forças em uma competição para duplas. O primeiro problema é que eles são rivais fervorosos, que terão de aprender a pôr as diferenças de lado. O segundo problema é que são homens, os primeiros a formar dupla em um grande evento da modalidade. É claro, o plot abre caminho para cenas de constrangimento em tons de homofobia que rendem as melhores cenas do filme, especialmente durante os treinamentos dos rivais.

Will Ferrell está particularmente bem, enquanto Jon Heder arrancaria risos até involuntariamente. Além deles, destaque para o veterano Craig T. Nelson, vivendo o treinador que ajuda-os a se preparar para coreografias absolutamente hilárias, embaladas por canções selecionadas para tornar as passagens ainda mais hilárias, incluindo hits do Queen e Aerosmith.

A produção é feliz em dar ao filme um tom de seriedade que torna a experiência ainda mais engraçada, levando a cenas gostosamente ridículas, como aquele em que o par central treina uma perigosa manobra sob orientações do mentor e uma trilha sonora em tom heróico. Outra grande qualidade
de Escorregando Para a Glória é a economia: são apenas bem utilizados 93 minutos de projeção, menos que bombas como Vovó Zona 2 e outras películas do gênero que mais parecem instrumentos de tortura.

Nota: 7,0 (de dez)








terça-feira, 6 de setembro de 2011

Dívida de Sangue


Dívida de Sangue
(Blood Work, EUA, 2002) Direção de
Clint Eastwood. Com Clint Eastwood, Jeff Daniels, Anjelica Huston, Wanda De Jesus, Tina Lifford.


Renato Cordeiro

Dívida de Sangue é um desperdício do talento de Clint Eastwood. Difícil acreditar que o homem que dirigiu Menina de Ouro pôde comandar, apenas dois anos antes, um trabalho tão sem personalidade, previsível e datado. O longamentragem já começa mal, com uma abertura que remete a alguns filmes policiais de expressão nula lançados nos anos 70. A câmera sobrevoa a Califórnia à noite, saxofone tocando ao fundo, até que acompanhamos o protagonista descer do carro para chegar à uma cena de crime, onde foram deixadas mensagens do assassino para o nosso herói. Se fosse uma paródia, seria bacana, mas não é o caso.

Em um aspecto, o filme lembra
o bom suspense Na Linha de Fogo, de 1993, o mais antigo trabalho em que Eastwood atuou sem acumular a função de diretor. Ele assumia a idade como Frank Harrigan, um investigador que não se encontrava mais em condições de correr na escolta do presidente dos Estados Unidos. Em Dívida de Sangue, o ator faz um protagonista ainda mais vulnerável, desta vez o ex-agente do FBI Terry McCaleb. O sujeito se propõe a elucidar o assassinato de uma jovem, dois meses depois de ser submetido a um bem sucedido transplante de coração. A irmã da vítima usa um argumento contundente para convencer McCaleb a encarar a missão: o órgão que ele agora usa veio da garota morta. Daí o título brasileiro para o filme.

Embora o herói seja convincente e conte com a privilegiada carranca de Clint Eastwood, o filme não funciona, a começar pelos outros personagens. Falando nisso, ver Anjelica Huston em cena é uma satisfação eclipsada pelo papel que, apesar de importante para a trama, não tem o que acrescentar à carreira da intérprete. Ela faz uma cardiologista que acompanha o estado de saúde de Clint, deixando claro os riscos que corre por se lançar em uma investigação sendo um recém-transplantado. Outra falha está no já desgastado conflito entre o mocinho e os agentes da lei, configurada na relação entre McCaleb e dois detetives responsáveis pelo caso.

O roteiro é de Brian Helgeland, figura realmente imprevisível. Ao mesmo tempo em que já havia cuidado de textos que originaram Sobre Meninos e Lobos e Los Angeles - Cidade Proibida, participou de trabalhos menos inspirados, como Coração de Cavaleiro e Devorador de Pecados.
Na adaptação de uma história de Michael Connelly, temos mais uma bola fora. O mistério é fácil de ser elucidado pelo espectador e, quando finalmente é revelado, abre caminho para um desenlace morno e cheio de diálogos estúpidos e frases de efeito idem. Constrangedor. Se não fosse a presença e o carisma de Clint Eastwood, Dívida de Sangue seria uma bomba.

Nota: 5,0 (de dez)










segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Reds


Reds
(EUA, 1981) Direção de Warren Beatty. Com Warren Beatty, Diane Keaton, Edward Herrmann, Jerzy Kosinski, Jack Nicholson, Paul Sorvino, Maureen Stapleton, Nicolas Coster, M. Emmet Walsh, Ian Wolfe, Bessie Love, MacIntyre Dixon, Pat Starr.


Renato Cordeiro

"Para criar reputação como jornalista, precisa estar no lugar certo e na hora certa. E o lugar certo, agora, é a Rússia". A fala marca o momento em que Jack Reed tenta convencer a colega e ex-amante Louise Bryant a embarcar para o olho do furacão vermelho que marcou a Revolução Russa em 1917, registrada mais tarde no clássico escrito por ele, Dez Dias Que Abalaram o Mundo. O
livrorreportagem se tornou uma referência do gênero, mas Reds vai além do filme político em tom documental e cativa, também, pela história de amor por trás da obra.

São mais de três horas de um filme épico que poderia ser dividido em duas partes, com a primeira tendo início a partir do momento em que os protagonistas se conhecem. A aproximação inicial é motivada - ou tem como desculpa - um interesse profissional. Louise quer entrevistar Reed, acaba pedindo uma crítica para o livro que ela está escrevendo e a paixão vai tomando conta dos dois. Já na segunda metade do filme, vemos os desdobramentos da viagem a Petrogrado
, hoje São Petesburgo. A cena de desembarque é ótima, bem filmada, boa recriação da época a partir de uma locação na Finlândia, utilizada por causa de problemas que a produção enfrentou com o governo soviético, que barrou o solo russo.

O uso de depoimentos ao longo do filme é um dos vários pontos fortes de Reds, e foi favorecido por uma sábia decisão de Warren Beatty. O filme foi lançado em 1981, mas as gravações com diferentes personalidades ocorreu já a partir dos anos 70. De outra forma, personalidades como o escritor Henry Miller, que morreu em 1980, dificilmente teriam dado sua contribuição a obra. Vale notar como o
tom documental das falas dos idosos nem sempre está associada apenas às lembranças. Aquilo que dizem, e como dizem, resgata também alguns preconceitos e estados de espírito próprios da época. 

As implicações políticas de um filme desse tipo são evidentes. Em plena Guerra Fria, Warren Beatty dirigiu, produziu e coescreveu um longametragem sobre o único ocidental a receber a honraria de ser enterrado nas muralhas do Kremlin. Era um estadunidense apaixonado por um país que, nos anos 80, era divulgado como a terra dos vilões dos filmes de ação e espionagem. Por outro lado, o roteiro sugere que Reed teve momentos de vaidade pelo status adquirido junto aos bolcheviques e, mais tarde, decepção em ver o rumo que a revolução tomou. Mesmo assim, Reds teve o reconhecimento da crítica e da Academia, que rendeu-lhe 3 Oscars, além de outras nove indicações, incluindo as quatro categorias de atuação, voltadas aos atores e atrizes principais e coadjuvantes.

Falando no elenco, Warren Beatty, perfeito, faz do célebre jornalista um sujeito disperso, desajeitado, tímido e apaixonado pelo que faz. Inicialmente de poucas palavras, passa a falar pelos cotovelos sempre que lhe pedem análises politicas. Diane Keaton tem um papel desafiador, pois faz uma mulher que adotou um feminismo agressivo como forma de demarcar a independência, mas não estava preparada para um relacionamento com um homem que a vê como um igual. A química entre os atores é ótima, uma interação que cria o terreno propício para que simples frases ditas ganhem uma outra dimensão. Depois de uma briga com a mulher, Jack volta arrependido, vê o perdão no sorriso de Louise e olha pra trás, num misto de vergonha e alegria. Uma comovente cena entre eles em uma estação de trem, mais tarde, dá dez a zero em muitos pretensos filmes românticos.

Nota: 8,0 (de dez)









domingo, 4 de setembro de 2011

Um Grito de Liberdade

Um Grito de Liberdade (Cry Freedom, Reino Unido, 1987) Direção de Richard Attenborough. Com Kevin Kline, Denzel Washington, Penelope Wilton, Kevin McNally, Timothy West, Juanita Waterman, Zakes Mokae, John Hargreaves, Josette Simon.


Renato Cordeiro

Certos filmes dão a impressão de que poderiam ser realizados no piloto automático e ainda assim teriam um resultado minimamente decente. É claro que a história do cinema está repleta de exemplos do contrário, mas Um Grito de Liberdade é um caso positivo. Uma boa história, especialmente uma boa história real
, como a do ativista Steve Biko, já é meio caminho andado para um bom filme.

Cry Freedom foi lançado cinco anos depois de outra cinebiografia dirigida por
Richard Attenborough, Gandhi. Mas em vez de fazer um inventário de toda a história de Biko, a trama começa a partir da relação do líder negro com o jornalista Donald Woods. Em meados da década de 70, em meio aos protestos antiapartheid na África do Sul, Woods é editor de um jornal que ataca o governo com a mesma disposição com a qual denuncia Biko como promotor de racismo contra brancos. Essa visão vai cedendo espaço a uma admiração crescente a partir do momento em que é apresentado ao ativista, que na época era proibido de se reunir com mais de uma pessoa por vez e, por tabela, fazer discursos para multidões. 

Attenborough filma Biko com explícita reverência, desde o primeiro momento em que o sujeito aparece em cena, uma sombra em frente ao sol que ofusca a visão de Woods. Biko é difícil de encarar, assim como sua retórica. O jornalista, interpretado por Kevin Kline, logo mede forças com o líder vivido por Denzel Washington em um diálogo sobre a natureza do racismo, a legitimidade do que hoje se chamaria de ação afirmativa e a promoção da paz. O tom messiânico da passagem na qual Biko aparece discursando aos amigos, depois de participar de uma partida de futebol, lembra o sermão da montanha. 

Woods, é claro, terá de arcar com as perigosas consequências da aliança com Biko. Sem entrar em detalhes e cair em spoilers, vale perceber como o filme trabalha bem a crescente tensão que se apodera do jornalista, especialmente nas cenas em que precisa transparecer naturalidade para enganar os algozes. O papel do personagem de Kline, inclusive, sinaliza o engajamento da obra em atingir um público mais amplo, ao descortinar Steve Biko pelos olhos de um homem branco. Pela maneira como é enquadrado por câmeras gentis, as demonstrações de sagacidade e a carismática interpretação de Washington, indicado ao Oscar de ator coadjuvante, Um Grito de Liberdade mostra-se um inevitável tributo ao ativista cujas idéias traumatizaram e se fazem sentir ainda hoje sobre o movimento negro.

Nota: 7,0 (de dez)









sábado, 3 de setembro de 2011

20 anos sem Capra

Em 3 de setembro de 1991, o cinema perdia o diretor de obras como A Felicidade Não Se Compra, Aconteceu Naquela Noite e O Galante Mr. Deeds. No vídeo abaixo, um dos atores recorrentes na filmografia do diretor, James Stewart, narra aquela que considera a maior história de Frank Capra: a do próprio cineasta.













sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Os Mais Citados no Facebook


Renato Cordeiro


Pulp Fiction e O Fabuloso Destino de Amélie Poulain são os filmes preferidos dos meus amigos. É o que aponta uma experiência que realizei há dois dias, por pura falta do que fazer. Corri pelos perfis de facebook de 176 pessoas atrás de suas preferências em cinema, e contabilizei 427 filmes mencionados. A obraprima de Tarantino e o longa que eternizou a atriz Audrey Tatou abriram vantagem até sobre o monumento dirigido por Francis Ford Copolla, O Poderoso Chefão.

Não que a mera citação deste ou daquele longametragem seja uma representação fiel do quanto o amigo em questão foi cativado, mas o indicativo já valeria a curiosidade.
Metade dos meus amigos não tratou do assunto entre as informações pessoais. Em números mais precisos, 50,56%. A maior surpresa foi perceber que alguns cinéfilos que conheço até citaram gostos como música e programa de TV, mas não os cinematográficos. De modo geral, isso pode significar desde um desinteresse pela sétima arte até um interesse tão amplo que desencorajou aqueles com dificuldade em selecionar um punhado de nomes.

Entre os que preencheram o campo "filmes", constavam não apenas longas e diretores preferidos como também estúdios, países e gêneros, além de um evento (o DocBrazil Festival) e um blog (o Filmes com Legenda). A Pixar/Disney foi lembrada por quatro pessoas, e uma delas citou ainda a Sony Pictures Brasil. Entre os países, constam a cinematografia oriental, européia, italiana e "American & Different." Já as categorias comentadas foram comédia romântica, documentário, animação, filme noir e clássicos.

Alfred Hitchcock, Federico Fellini e Pedro Almodóvar são os preferidos entre os amigos que lembraram cineastas, levando quatro citações, cada um. Quentin Tarantino, Stanley Kubrick e Woody Allen vêm em seguida, com três. Lars von Trier segura o bronze com duas menções.

Uma necessária avaliação pessoal: não pude deixar de notar que muitos dos longas e diretores relacionados estão entre meus preferidos também. Um explicação possível é que as amizades que estabelecemos guardam uma certa comunhão de gostos. A relação dos 20 filmes mais citados vai abaixo, com o número de vezes em que apareceram.


O Fabuloso Destino de Amélie Poulain - 9
Pulp Fiction - Tempo de Violência - 9
O Poderoso Chefão - 7
Curtindo a Vida Adoidado - 6
Harry Potter (a cinessérie) - 6
Dirty Dancing - Ritmo Quente - 5
Kill Bill - 5
Laranja Mecânica - 5
A Origem - 5
Pequena Miss Sunshine - 5
Toy Story - 5
Shrek - 5
Cidadão Kane - 4
Clube da Luta - 4
Os Goonies - 4
Moulin Rouge - Amor em Vermelho - 4
Piratas do Caribe - 4
Sociedade dos Poetas Mortos - 4
Guerra Nas Estrelas - 4
Vicky Cristina Barcelona - 4

Menções honrosas: Tropa de Elite, 2001 - Uma Odisséia no espaço, Afônica (média-metragem), Alice No País das Maravilhas, Bahêa Minha Vida - O Filme, Bastardos Inglórios, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, Closer, As Horas, O Labirinto do Fauno, Ladrões de Bicicleta, A Lista De Schindler, Magnólia, Rei Leão, O Senhor dos Anéis, Star Trek, Up, V De Vingança, Zeitgeist, Transformers.










quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A Árvore da Vida


A Árvore da Vida (The Tree of Life, EUA, 2011) Direção de Terrence Malick. Com Brad Pitt, Jessica Chastain, Sean Penn, Fiona Shaw, Kari Matchett, Dalip Singh, Joanna Going, Jackson Hurst, Brenna Roth, Jennifer Sipes, Crystal Mantecon, Lisa Marie Newmyer.


Renato Cordeiro

Não passou despercebido o fato de dois filmes de cineastas renomados estrearem quase simultaneamente tendo questões existenciais como mola mestra da narrativa. Assim como ocorre em Melancolia, o niilismo também dá o tom de A Àrvore da Vida, pondo em xeque valores e convenções sociais que sufocam o ser humano. A diferença mais significativa se dá pela maneira, digamos, mais propositiva como Terrence Malick trabalha a angústia contemporânea.

O diretor, novamente acumulando a função de roteirista, oferece uma obra que se quer aberta, plural em possibilidades de interpretação, de tal modo que até o ator Sean Penn declarou não ter entendido o papel cumprido pelo próprio personagem. De fato, o intérprete pouco aparece, apesar de sua posição nos créditos indicar o contrário. Ao longo das poucas cenas nas quais toma parte, acompanhamos um homem em ambientes que sugerem esterilidade, desde a casa onde acorda até o local de trabalho. Na composição com a paisagem urbana, Penn é colocado sempre à frente dos elevadores e prédios imensos filmados de baixo para cima. Aqui, o chamado enquadramento contraplongée é utilizado fora da idéia convencional de engrandecimento do ser/objeto focado e em vez de de engrandecimento, indicam uma figura esmagada pelo cotidiano.

Na adolescência, o personagem de Sean Penn é vivido pelo jovem Hunter McCracken. Jack possui uma conflituosa relação com o severo pai, papel de Brad Pitt, que não surpreende em mais um bom desempenho. É entre eles que o filme se concentra. O Sr. O'Brien é um sujeito que cria três crianças sob regras ora injustas, ora absurdas, impondo situações que são uma válvula de escape para as diversas frustrações, como a de abrir mão dos sonhos de juventude. Em um raro momento de autocrítica, pede que o garoto não permita que o mesmo lhe aconteça e que não deixe que digam o que não pode fazer. Acompanhando as breves cenas de Jack em sua maturidade, é possível perceber que o conselho de nada valeu.


O elemento deflagrador da angústia reprimida dos personagens centrais é a morte de um dos irmãos de Jack, que ocorre logo no início do filme e leva a família a questionar a vontade divina. E se em Melancolia Lars Von Trier usava a colisão de um planeta como recurso para impôr uma situação terrível, inevitável e compartilhada entre as protagonistas, em A Árvore da Vida Malick usa imagens do espaço e da pré-história para sugerir quão pequenos somos nós, nossas perdas e nossas súplicas ante a magnitude da existência.

As narrações em off do pai, mãe e filho remetem a uma característica já percebida em outros trabalhos de Terrence Malick, como O Novo Mundo e Além da Linha Vermelha. A economia das palavras na obra do cineasta
opera de outra forma que não a simples ratificação de algo que a imagem já sugere. Em vez disso, o texto suplementa, acrescenta reflexões, estados de espírito. E apesar de dar margem a diversas leituras, A Árvore da Vida assume, especialmente ao fim do filme, uma abordagem que pode ser considerada próxima da autoajuda ou espiritualismo. Este cinéfilo fica, no entanto, com a idéia de um surrealismo reconfortante, um gesto de compaixão onírica do diretor.

Nota: 8,0 (de dez)