quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Blade Runner Sketchbook


Blade Runner, filme policial futurista dos anos 80, é considerado um dos melhores trabalhos da carreira irregular de Ridley Scott. O longa, inspirado em romance de Phillip K. DIck, também ajudou a consolidar a trajetória do ator Harrison Ford, que faz um detetive com todo o jeitão de filme noir. Para quem gosta desta ficção ou mesmo aprecia design, uma dica é conferir um site que oferece, online, uma versão do livro Blade Runner sketchbook.

O trabalho reúne vários desenhos de produção assinados por Syd Mead, Charles Knode, Mentor Huebner, Michael Kaplan e o próprio Ridley Scott. Mais informações aqui.











terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras


Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras (Sherlock Holmes: A Game of Shadows, EUA, 2011). Com Robert Downey Jr., Jude Law, Jared Harris, Noomi Rapace, Stephen Fry, Kelly Reilly, Geraldine James, Rachel McAdams, Eddie Marsan, Paul Anderson.


Renato Cordeiro

É bem verdade que Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras supera o primeiro filme, mas isso não quer dizer que se trate de um trabalho muito melhor. A sequência mantém a trama rasa, cenas de luta por vezes confusas e a interação entre Downey Jr. e Law continua marcada por diálogos rápidos que parecem tentar mascarar as falas de qualidade irregular. Por outro lado, entre os pontos positivos, o longa consegue um feito um tanto incomum, que é melhorar ao longo da segunda metade.

A curva ascendente de O Jogo das Sombras acontece, entre outros motivos, por uma aposta na própria mitologia da cinessérie, ainda no segundo capítulo. Já sabemos que o roteiro terá várias cenas em flashback que mostrarão como Sherlock Holmes premedita as ações e sabota as dos adversários, e o longa consegue apresentar estas passagens de forma ainda mais divertida, a exemplo de uma passagem dentro de um trem.
Essa idéia também rende um bom momento no final do filme, quando as expectativas do protagonista são quebradas diante do seu arquiinimigo, Moriarty, vivido com adorável fleuma britânica pelo ótimo Jared Harris.

Sem entregar detalhes do filme, vale apontar que é também no final que acontece a melhor utilização de um recurso típico do cinema de Guy Ritchie, o voice over, quando a narração dos atores conduz a apresentação de uma cena da qual não participam. A qualidade das interpretações e a edição correta garantem o sucesso da passagem, marcada por uma tensão crescente. Por outro lado, Ritchie escorrega em certos maneirismos. Um deles,
próprio da franquia, é a adoção de câmera lenta e som distorcido, que tem como exemplo a fuga dos heróis por um bosque onde são atacados até por tiros de morteiros, lembrando muito a correria de Downey Jr. em meio a uma série de explosões no longametragem anterior.

E se estamos falando de um filme com um autêntico Sherlock Holmes, cabe uma discussão à parte. A caraterização continua sendo a de uma espécie de James Bond vitoriano, mas isso não é necessariamente algo que deprecia O Jogo das Sombras, que poderia ser fiel aos livros de Conan Doyle e continuar sendo uma diversão esquecível. E falando em diversão, destaque para a cena de Downey como um relutante cavaleiro, com direito a uma trilha que remete ao tema de Ennio Morricone para Os Abutres Têm Fome.

Nota: 5,0 (de dez)










segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Cavalo de Guerra


Cavalo de Guerra (War Horse, EUA, 2011). Direção de Steven Spielberg. Com Jeremy Irvine, Tom Hiddleston, David Thewlis, Emily Watson, Peter Mullan, Benedict Cumberbatch, Toby Kebbell, David Kross, Eddie Marsan, Geoff Bell, Niels Arestrup.


Renato Cordeiro

Há dois filmes dentro de Cavalo de Guerra que oferecem atrito um ao outro. Um é o drama que mostra não apenas as batalhas ambientadas na Primeira Guerra Mundial, mas também as vidas de pessoas comuns que foram marcadas pelo conflito. O outro parece uma dessas aventuras infantis protagonizadas por animais "humanizados", a exemplo de cães ou macacos que fazem cestinhas no basquete ou são agentes secretos.

Steven Spielberg é um cineasta que tem o dom para encantar, para extrair a criança que pode existir em cada espectador, sendo E.T. - O Extraterrestre o maior exemplo neste sentido. Assim, a idéia de ver um filme sobre um soldado de quatro patas não é necessariamente ruim, e a produção é até feliz em utilizar o cavalo Joey como o elemento de ligação das histórias amarradas pelo longametragem. Dá vontade de saber mais sobre a dura vida de um idoso e sua neta em uma França ocupada ou sobre os protagonistas do melhor momento de Cavalo de Guerra, quando dois soldados, um alemão e outro inglês, se unem para salvar o bicho. Mas em vez de explorar um pouco mais essas histórias, o filme insere planos com o animal fazendo algum ato ou pose nobre, arrastando o espectador de volta à um poço de pieguice.

Um herói sem profundidade, sem personalidade, é algo tedioso, seja homem ou animal. Em Cavalo de Guerra o problema já começa nos primeiros minutos do filme, que se passam na fazenda da família Narracott, onde também existe um ganso que se revela um alívio cômico tão chato quanto o Jar Jar Binks, de Star Wars. Vemos então uma obra promissora ser gradativamente sabotada por animais que são nada mais que caricaturas, "o cavalo herói", o "ganso engraçado", roubando espaço de personagens que poderiam ser melhor aproveitados. O problema não é apenas do roteiro, mas também dos planos excessivos que Spielberg dedica a esses animais, inclusive no final do longa.

Verdade seja dita, Spielberg tem bons momentos, como uma execução promovida por soldados alemães, a corrida do cavalo em uma trincheira e o planossequência que começa em uma trincheira e abre em um plano aberto, em uma das batalhas. É uma pena então que o cineasta de primeiro time insista em usar seu talento em obras menores, seja como o diretor de lixos como o quarto filme da série Indiana Jones, seja como produtor de bombas como Transformers 2. No começo dos anos 90, este cinéfilo, ainda garoto, corria pra TV sempre que começava a atração anunciada como "um filme de Steven Spielberg". Costumava ser uma marca de qualidade.

Nota: 5,0 (de dez)










sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Serkis ao Oscar


Renato Cordeiro

Boa parte das críticas a respeito do remake O Planeta dos Macacos - A Origem, de 2011, destacou a qualidade da expressão corporal de Andy Serkis, que deu vida ao símio César através de recursos de captura de movimento. Até concordo que há um trabalho de atuação e, importante dizer, muito bom. Mas daí a dar a ele um Oscar de Melhor Ator, como tem defendido a campanha da Fox, é um tanto demais.

Não se trata de desqualificar o trabalho do sujeito, mas de discutir a natureza do mérito, que não é a mesma de uma atuação tradicional. Qual o limite entre o desempenho do ator e o que vemos em cena, após toda a imersão de recursos eletrônicos? Afinal de contas, de alguma forma, estes efeitos também contribuem para a caracterização do personagem. Inclusive, convidaria qualquer leitor a reassistir o já clássico A Bela e A Fera, animação de 1991 que é um assombro em termos de, digamos, expressão corporal. Reparem a cena em que o pai da Bela é raptado, a maneira intensa como a protagonista entra em prantos, lembrando algumas interpretações poderosas de Bette Davis em filmes antigos como Vitória Amarga. Se um animador é capaz de fazer isso sozinho, imagine contando com a gestualística de um Andy Serkis?

É claro, alguém pode dizer que, se Nicole Kidman pode levar um Oscar em As Horas pelo nariz postiço que usou para viver Virginia Woolf, Serkis não deveria ser tirado do páreo. Este raciocínio tem que ser levado como uma brincadeira. Você pode até entrar na teoria de que Kidman recebeu uma compensação por não ter faturado a estatueta anteriormente por Moulin Rouge, mas dizer que maquiagem rende Oscar leva a inevitáveis absurdos, como afirmar que Marlon Brando trapaceou ao implantar algodão dentro da boca para viver um bochechudo Don Corleone, papel que o premiou por O Poderoso Chefão. Ou querer tomar de volta o Oscar póstumo de Heath Ledger pela insana interpretação como o Coringa em Batman - O Cavaleiro das Trevas. Maquiagem ajuda na caracterização, modifica a fisionomia, e só.

Acredito que o que acontece é que, de tempos em tempos, um profissional que não pertence a uma categoria que pode ser premiada com o Oscar simplesmente dá uma contribuição espetacular às obras das quais participa. Desde garoto, por exemplo, eu acho que deveria haver algum reconhecimento para adestradores de animais, especialmente aqueles que cuidaram dos animais vistos em Babe - O Porquinho Atrapalhado. Melhor seria então enquadrar profissionais como Andy Serkis em uma categoria à parte, que exigiria uma criteriosa avaliação dos jurados. Não que uma medida desse tipo possa ser implantada em curto prazo, por um motivo simples: Serkis é o melhor em um campo onde, praticamente, só existe ele. Mais fácil e justo seria, acredito, ceder ao ator um Oscar honorário.

Abaixo, um dos muitos vídeos que engrossam a campanha para que Andy Serkis seja indicado ao Oscar de Melhor Ator.













terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Filmography 2011




Excelente montagem de cenas de 230 filmes de 2011. São quase seis minutos de trechos bem amarrados de produções diversas, como Melancolia, Capitão América e Rio, embalados por músicas de nomes como Radiohead e Kashiwa Daisuke. A qualidade dos cortes e a sincronia quase perfeita com a trilha sonora impressionam. Para ter acesso à relação completa dos longas que compõem o vídeo, clique aqui.

Dica de Danielle Pimenta.










segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Lemon Tree


Lemon Tree (Etz Limon, Israel, Alemanha, França, 2008) Direção de Eran Riklis. Com Hiam Abbass, Doron Tavory, Ali Suliman, Rona Lipaz-Michael, Tarik Kopty, Amos Lavi, Amnon Wolf, Smadar Jaaron, Danny Leshman, Hili Yalon.


Renato Cordeiro

Uma pequena fábula sobre as relações de poder toma lugar na propriedade de Salma Zidane, uma viúva palestina que vê seu limoeiro ameaçado pelo novo vizinho: ninguém menos do que o Ministro da Defesa de Israel. O argumento é o de que as árvores encobrem parte do perímetro da propriedade do sujeito, o que oferece risco à segurança. A partir daí, Zidane trava uma batalha na justiça para manter a plantação de pé. E o que era para ser um simples caso do tipo Davi Vs Golias ganha repercussão midiática e proporções políticas.

Salma está ciente da própria insignificância dentro do grande plano das coisas, morando em um território ocupado, mas encara o desafio de peitar o Ministro da Defesa. "Já tive tristeza demais na vida", desabafa ao jovem advogado que pergunta por que a cliente quer apelar para levar o caso adiante. E ainda que por vezes otimista, o longa denuncia uma séria dificuldade enfrentada por quem busca se defender em um local que não conta com soberania, apresentando a Autoridade Palestina como uma entidade de pouca serventia.

Filmes como A Culpa É de Fidel, Adeus Lênin! e este Lemon Tree mostram situações políticas retratadas no microcosmo de protagonistas simples, à mercê da História. E se nos longas citados temos protagonistas femininas, como a menina rebelde do primeiro e a mãe desorientada do segundo, a mulher vivida pela bela Hiam Abass se diferencia, entre outras coisas, por sofrer ainda pressões de gênero. Ela encontra um advogado que se prontifica em ajudá-la e os dois se apaixonam, mas o (ex)cunhado a ameaça para que não "desonre" a memória do falecido. Não por acaso, será em uma figura feminina que a protagonista encontrará o apoio mais valioso: a própria mulher do ministro, vivida por Rona Lipaz-Michael.

Com direção discreta, que dá espaço para o silêncio e a gestualística resignada da personagem principal, o cineasta Eran Riklis constrói um drama no qual a resistência é quase uma forma de tocar a vida, sendo a justiça a via de combate. E nessa curiosa jornada que enaltece a importância das instituições, do aparato jurídico mesmo em situações de conflito, encontra em Abass uma atriz capaz de retratar com perfeição a dignidade da protagonista frente a uma grande adversidade.

Nota: 7,0 (de dez)










domingo, 1 de janeiro de 2012

Missão Impossível - Protocolo Fantasma


Missão Impossível - Protocolo Fantasma (Mission: Impossible - Ghost Protocol, EUA, 2011). Direção de Brad Bird. Com Tom Cruise, Jeremy Renner, Simon Pegg, Paula Patton, Michael Nyqvist, Vladimir Mashkov, Anil Kapoor, Léa Seydoux, Josh Holloway, Tom Wilkinson, Michelle Monaghan, Ving Rhames.

Renato Cordeiro

O diretor da animação Os Incríveis começa a carreira de obras live action com pé direito, fazendo do quarto Missão Impossível uma diversão leve e eficiente. O longa reafirma uma clara diferença com os filmes do agente 007, ou pelo menos aqueles que antecederam Cassino Royale. Se as aventuras de James Bond jamais primavam por uma dimensão autoral do cineasta sobre os filmes e cada longa parecia bastante com o anterior,
a franquia inspirada na telessérie setentista ganhou, em cada capítulo, um tom característico do "diretor da vez". Assim, Brian De Palma destila toda a bagagem hitchcokiana, John Woo injeta cenas de ação mirabolantes e estilizadas, J.J. Abrams capricha na carga emocional e, em Protocolo Fantasma, Brad Bird aposta no bom-humor. E ainda que não seja um primor em criatividade, o trabalho vale o ingresso e sinaliza uma retomada de fôlego para a cinessérie.

Aliás, fôlego é o que não falta para o protagonista, o agente Ethan Hunt, vivido pelo quase cinquentão Tom Cruise com direito a muita correria e proezas físicas que dispensaram dublês. Felizmente, o ator tem aqui um papel que é mais do que apenas um conduíte para as sequências carregadas de adrenalina. Hunt é um tanto mais complexo, um tanto mais humano, ainda que seja um típico herói de ação. Este é um dos elementos positivos do quarto Missão Impossível, que também ganha pontos ao aproximar a franquia da sua fonte de origem, a homônima série setentista, cujas tramas tinham à frente uma equipe, e não apenas o líder, como vinha acontecendo nos três primeiros filmes. Ainda que Cruise tenha mais destaque, é notório o espaço maior concedido aos colaboradores do agente Ethan Hunt.

Naturalmente, a opção por um tom mais descontraído rende farta munição para o talento de Simon Pegg, que volta a desempenhar bem o papel de alívio cômico. Na pele do agente Benji Dunn, ele é responsável pelas bugigangas capazes de proezas típicas dos filmes de 007 e que serão usadas pelo grupo formado ainda pelo misterioso William Brandt, vivido por Jeremy Renner, e Jane Carter, papel de Paula Patton. Renner, apontado como possível sucessor de Cruise em uma provável extensão da franquia, se sai bem no papel de um assessor especial da agência IMF que possui um passado ligado ao de Hunt. Não que a carga dramática e as interações de personagens sejam brilhantes, mas são convincentes e não causam atrito com a história.

Desta vez, os heróis tem de impedir que um terrorista consiga pôr as mãos em códigos de lançamentos de mísseis que podem dar início a uma guerra nuclear... mas na verdade, a trama pouco importa. O plot segue o padrão de um típico filme de espionagem, amarrarando maravilhas tecnológicas, locações internacionais, bailes de gala e um vilão que ameaça o mundo. O preço que o Protocolo Fantasma paga pela trama pouco envolvente é a perda de ritmo na segunda metade do longa, marcada sobretudo por uma tediosa perseguição de carros - aliás, este cinéfilo diria que sequências automobilisticas são o Calcanhar de Aquiles dos filmes de ação, com exceções honrosas como a de Ronin, com Robert De Niro.

No geral, o saldo
de Protocolo Fantasma é positivo. As situações são bem orquestradas por Brad Bird, que demonstra sobriedade com as passagens de ação desde o começo do filme, durante a fuga em uma prisão. O diretor também se sai bem em cenas mais tensas como as que ocorrem na Burj Khalifa, a torre mais alta do mundo. É onde os agentes tentarão se passar, ao mesmo tempo, por comprador e vendedor para enganar, em separado, as duas partes de uma transação que precisam impedir. Por sua vez, o roteiro, apesar de pecar pela mediocridade do plot, se sai bem ao trabalhar alguns detalhes, como os óculos de escalada de Hunt. Destaque ainda para o epílogo, que faz boa conexão com o capítulo anterior e mostra um bem-vindo esforço de humanização do protagonista. Lembrou alguns bons momentos dos filmes de Jason Bourne, guardadas as devidas proporções.

Nota: 7.0 (de dez)










quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Casa de Cinema dá adeus


Renato Cordeiro

Mais uma locadora - das boas - fecha as portas em Salvador. A Casa de Cinema está se desfazendo do acervo. O estabelecimento funcionava há anos no Rio Vermelho como uma opção para quem buscava filmes clássicos e cults. Apostou na segmentação, mas mesmo assim encerra as atividades. A GPW, na Pituba, e a Stax, na Barra, também não resistiram e saíram do mercado neste ano.

Parece inevitável que este seja o caminho para as locadoras, em tempos de internet e pirataria abundante, associados às TV's por assinatura e agora as locadoras virtuais como Netflix e Netmovies. Particularmente, mesmo com as facilidades de acesso aos filmes pela rede, que conheço bem, continuo locando filmes com certa regularidade, quase como uma espécie de militância de andorinha solitária para que estabelecimentos deste tipo se mantenham em pé. Até por que, convenhamos, não é tão fácil achar clássicos e cults na internet, onde a má qualidade de imagem e problemas de legendas são mais comuns do que o cinéfilo pode aceitar.

Resta saber, então, como reinventar o negócio e, sobretudo, fidelizar o cliente. Caberia à locadora funcionar como cineclube, com anuidade, exibição periódica de filmes, segmentação? Apostar na diversificação de produtos, vendendo livros, revistas, artigos associados ao cinema? Talvez. A arte pela arte já não vale mais para manter o negócio. Não basta ter um grande acervo disponível. Vender a experiência que vem com a partilha do filme, a criação de redes de cinéfilos, uma relação de pertencimento, isso sim, parece ser o pulo do gato.



Para mais informações sobre algumas boas locadoras que ainda restam em Salvador, clique aqui.
Para ler texto de Daniel Fróes sobre o film da GPW, clique aqui.








terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Movies in Lego




Uma reunião de cenas clássicas da sétima arte em versões Lego. As imagens incluem 2001 - Uma Odisséia No Espaço, Beleza Americana, Pulp Fiction e O Exorcista. Para visualizar, clique aqui.










segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Noite de Ano Novo


Noite de Ano Novo (New Year's Eve, EUA, 2011). Direção de Garry Marshall. Com Hilary Swank, Katherine Heigl, Jon Bon Jovi, Michelle Pfeiffer, Zac Efron, Robert De Niro, Halle Berry, Ashton Kutcher, Lea Michele, Jessica Biel, Seth Meyers, Sarah Paulson, Til Schweiger, Sarah Jessica Parker, Abigail Breslin, Josh Duhamel, Ludacris, Hector Elizondo, Sofía Vergara, Carla Gugino, Cary Elwes, Alyssa Milano, Common, James Belushi, Matthew Broderick, Penny Marshall.


Renato Cordeiro

Se você é do tipo que julga o filme pelo que pode ler no pôster, vale a pena refletir um pouco mais sobre o que pode esperar de certas produções, como este longametragem de Garry Marshall. O diretor é o mesmo do divertido Uma Linda Mulher, mas também assinou o criticado Idas e Vindas do Amor, que tem parentesco direto com este Noite de Ano Novo. São comédias românticas que colam diversas tramas paralelas, categoria que tem o inglês Simplesmente Amor entre os poucos exemplares que se salvam. E se o elenco é estrelado, vale perceber que a maior parte dos atores se divide entre astros recentes, como Til Schweiger e Abigail Breslin, e aqueles que, mesmo premiados, comprovam que não estão nos momentos mais brilhantes das carreiras, como Robert De Niro e Halle Berry.

É claro, um filme não é feito de referências. Com todos os componentes supracitados, Noite de Ano Novo poderia ainda ser um grande trabalho, contrariando todas as expectativas. Mas, como vem ocorrendo constantemente na Terra do Tio Sam, falta a esta obra uma boa razão pra existir. A produção aposta em fórmulas e falha miseravelmente em cada uma delas. Para começar, se a escolha do elenco parece apelativa, não é por acaso. Vamos tomar como exemplo o par vivido por Ashton Kutcher, que dava uma pausa na série Two and a Half Man, e Lea Michelle, uma das atrizes-cantoras de Glee. Pelo histórico de personagens já vividos pelos atores, espera-se que Kutcher seja um sujeito excêntrico e Michelle, algo que, por um motivo qualquer, canta. Dito e mal feito. Nem eles nem os colegas de elenco conseguem papéis que acrescentem algo de novo aos respectivos repertórios.

E se em certos filmes que costuram tramas paralelas podemos perceber uma ou duas histórias interessantes, o longa de Marshall não conta com sequer um momento que escape do medíocre, do previsível, do piegas. Talvez uma parte do problema esteja no discurso de renovação e redenção associado à virada do ano, uma premissa que, ao ser levada às últimas consequências pelo roteiro, amarra cada história em um desenvolvimento forçado, capaz até de esfriar duas surpresas que o longa reserva no terço final, envolvendo os destinos de quatro personagens.


Nota: 4,0 (de dez)