quinta-feira, 7 de abril de 2011

Além da Eternidade


Além da Eternidade (Always, EUA, 1989). Direção de Steven Spielberg. Com Richard Dreyfuss, Holly Hunter, John Goodman, Brad Johnson, Audrey Hepburn, Keith David.


Renato Cordeiro

Mesmo um diretor consagrado como Steven Spielberg tem filmes "B". E assim como ocorre com tantos cineastas, se algumas obras não são conhecidas não é necessariamente por estarem à frente do seu tempo, fora da sintonia com o público ou à espera de que a história lhes faça justiça. Às vezes, isso acontece por que o trabalho não é bom, mesmo.

Uma crítica comum na época em que Além da Eternidade foi lançado era de que Spielberg se dava muito melhor nas sequências aéreas, com eficientes efeitos especiais, do que com as cenas românticas envolvendo o par central, vivido por Richard Dreyfuss e Holly Hunter. É uma análise que permanece válida. Por vezes, quando o par contracena, os diálogos parecem se valer do jeito mulher macho da personagem de Hunter para não deixar que momentos mais emotivos se concretizem. Uma opção perigosa em um filme romântico, mas de certo modo compreensível, pois quando essa barreira é superada, o filme mergulha na pieguice.

Dreyfuss e Hunter interpretam um casal feliz, pero no mucho. Ela não aguenta mais o jeito imprudente de Pete, piloto de aviões de uma brigada de incêndios florestais. Quando ele decide acatar o pedido de Dorinda para buscar um trabalho menos perigoso, acaba morrendo no que era para ser sua última missão. A partir daí, o espírito do sujeito passa a orientar um jovem piloto, que acaba se envolvendo com a namorada do fantasma.

Falando nos espíritos, a melhor coisa de Além da Eternidade é a agradável participação de Audrey Hepburn, em última aparição no cinema. A eterna Bonequinha de Luxo faz a mentora de Dreyfuss, único ator com quem contracena ao longo de menos de dez minutos de participação especial. A estrela doou todo o cachê para o UNICEF.

Nota: 5,0 (de dez)










quarta-feira, 6 de abril de 2011

O Retrato de Dorian Gray


O Retrato de Dorian Gray (Dorian Gray, Reino Unido, 2009). Direção de Oliver Parker. Com Ben Barnes, Colin Firth, Rebecca Hall, Ben Chaplin, Fiona Shaw, Rachel Hurd-Wood.


Renato Cordeiro

Uma adaptação fiel de O Retrato de Dorian Gray dificilmente se tornaria um arrasa-quarteirão nos cinemas. Basta ler algumas páginas do clássico de Oscar Wilde para se dar conta do hedonismo e homoerotismo que permeiam o livro, dois elementos que os produtores dos grandes estúdios, conservadores que são, não costumam ofertar ao público médio. Não admira que o filme dirigido por Oliver Parker amenize justamente estes aspectos, em um esforço que acaba, por outro lado, sabotando a produção.

O Retrato de Dorian Gray é claramente voltado à uma parcela menos exigente do público juvenil, que não terá problemas em reconhecer o ator Ben Barnes, o mesmo da aventura As Crônicas de Nárnia. Ele pouco consegue fazer como o almofadinha rico que se torna imortal depois de vender a alma. O encanto está vinculado e um quadro capaz de reproduzir as transformações no espírito do rapaz, que abraça uma vida de crueldade e prazeres. Não que o espectador mais sensível tenha de ficar assustado.

O que mata o longa não é a opção por
"sanear" o personagem-título, por mais discutível que isso seja. O duro é se apossar da aura de um clássico para vender um fime de horror esquemático, com a trilha sonora tentando arrancar sustos e criar um clima que não se sustenta. Destaque para alguns problemas percebidos na montagem, talvez por culpa do diretor. A passagem de tempo é demonstrada de maneira que varia de abrupta, no período de exílio de Gray, à confusa, nos minutos finais do trabalho.

Em papéis chave, o elenco traz ainda Ben Chaplin, como o consciencioso pintor, e Colin Firth, que venceu o Oscar por O Discurso do Rei poucas semanas depois desta produção, na qual interpreta o amoral mentor de Dorian Gray. Tem ainda a bela Rebecca Hall, que me impede de nutrir maior desgosto pela obra. Não que este seja um comentário prudente, mas cinéfilo arranca satisfação de onde pode, n'est pas?

Nota: 5,0 (de dez)










terça-feira, 5 de abril de 2011

Apenas o Fim


Apenas o Fim (Brasil, 2008) Direção de Matheus Souza. Com Gregório Duvivier, Érika Mader, Nathalia Dill, Álamo Facó, Julia Gorman, Marcelo Adnet, Anna Sophia Folch.


Renato Cordeiro

Enquanto a trama de Apenas o Fim se desenrolava, alguns versos de Eduardo e Mônica teimavam em tocar na mente. Assim como na canção de Renato Russo, a trama apresenta um típico loser apaixonado por uma garota inteligente e bonita que também gosta dele. É aquela velha fórmula garota-forte-curte-cara-fraco. A diferença é que eles não parecem destinados a viverem felizes para sempre. A jovem o aborda subitamente e avisa que está pra viajar, sendo que os dois terão apenas mais uma hora juntos. É a partir daí que a trama acompanha o diálogo da dupla de protagonistas, que entre uma amenidade e outra, discute a própria relação.

A situação lembra Antes do Amanhecer, estrelado por Ethan Hawke e Julie Delpy nos anos 90. Em vez de Paris, o palco é o Rio de Janeiro.
Há algo de irresistível nos romances minimalistas que põem o espectador em uma condição de voyeur, observando uma história que não é mais do que uma conversa entre dois personagens. No caso de Apenas o Fim, o destaque são as referências pop. Em 80 minutos, o público ouvirá considerações sobre assuntos como a comida do MacDonalds, jogos eletrônicos, a saga Star Wars, uma comparação entre Beatles e Backstreet Boys, a obra de Oscar Niemayer e os filmes de Godard - que, a propósito, também foram citados na música da Legião Urbana.

Como não poderia deixar de ser em uma produção do tipo, a dupla de protagonistas ajuda a manter o interesse do espectador. Em diversos momentos, será possível suspeitar que os dois atores estão improvisando as próprias falas, dada a naturalidade com a qual os diálogos fluem. O filme, rodado por universitários da PUC do Rio, pode não ser exatamente um marco, mas agrada como exercício de estilo e retrato de uma geração. Ou da parte mais nerd dela.

Nota: 6,0 (de dez)











segunda-feira, 4 de abril de 2011

48 Horas - Parte 2


48 Horas - Parte 2 (Another 48 Hours, EUA, 1990). Direção de Walter Hill. Com Eddie Murphy, Nick Nolte, Brion James, Kevin Tighe, Ed O'Ross, David Anthony Marshall, Andrew Divoff, Bernie Casey, Brent Jennings, Ted Markland.


Renato Cordeiro

Eddie Murphy ainda estava em alta na carreira quando a produtora que levava seu nome lançou uma continuação para 48 Horas, quase dez anos depois do longametragem que marcou a estréia do ator no cinema. O filme tem uma produção mais caprichada, cenas de ação melhor elaboradas, e é só. O resto é o que o espectador já viu no trabalho anterior.

A trama começa da mesma forma que a obra original. Em uma paisagem isolada, um grupo de criminosos se reúne para tratar das maldades que vão fazer e aproveitam para matar alguns policiais, para deixar claro que são maus, mesmo. Na oportunidade, eles tramam uma vingança contra a dupla de protagonistas. O detetive Jack Cates descobre que seu velho amigo Hammond está jurado de morte, mas não antes de sofrer ele próprio um atentado. Os dois então voltam a juntar forças para fazer frente aos adversários, que estão ligados a um bandido que o policial persegue há anos.

Nolte e Murphy mantém a boa química, mas não conseguem salvar o filme, que é previsível e se arrasta mal, culminando em um clímax que reúne os mocinhos e bandidos de maneira constrangedoramente forçosa. Há espaço até mesmo para um vilão que explica os próprios planos, quando desmascarado. Os adversários da dupla são uma simples reciclagem dos bandidos já não muito interessantes do primeiro 48 Horas. A história cansa pela falta de criatividade, mas o diretor Walter Hill parece não se dar conta da pobreza do material e se mostra mais preocupado em mostrar a que distância podem ser lançados personagens alvejados. Improvável, para não dizer impossível, um terceiro filme da franquia.

Nota: 5,0 (de dez)










domingo, 3 de abril de 2011

Eddie Murphy - 50 anos de altos e baixos

Há quem cite os sofríveis Norbit, Pluto Nash e O Grande Dave como exemplos da atual deplorável carreira de Eddie Murphy, mas esse declínio data de muito antes. Mesmo nos anos 90, a filmografia do comediante a ator já não não resistia à comparação com a década de 80, quando começou a se aventurar no cinema, depois do estrondoso sucesso na televisão. Foram dessa época 48 Horas, Um Príncipe Em Nova York e o maior sucesso do astro, Um Tira da Pesada. Mas ali mesmo já era possível perceber o que viria a ser uma carreira no mínimo irregular, com a primeira e única experiência como diretor, Os Donos da Noite, de 1989.

Nos anos 90, chegou a fazer alguns trabalhos simpáticos, como Um Distinto Cavalheiro, O Professor Aloprado e Dr. Dollittle. Os dois últimos tiveram continuações cada vez piores. Por falar nisso, as continuações estreladas pelo astro tendem a ser experiências que variam entre dispensáveis e catastróficas, a exemplo de 48 Horas - Parte 2 e o quase desconhecido Um Tira da pesada 3. Da safra mais recente, só se salva mesmo a atuação em Dreamgirls - Em Busca de Um Sonho, que rendeu um Globo de Ouro, e a franquia de animações Shrek, na qual faz a dublagem do burro falante.

Tomara que o cinquentenário faça o astro repensar a carreira. Dizem que enquanto há vida, há esperança.














48 Horas


48 Horas (48 Hours, EUA, 1982). Direção de Walter Hill. Com Nick Nolte, Eddie Murphy, Annette O'Toole, Frank McRae, James Remar, David Patrick Kelly, Sonny Landham, Brion James, Kerry Sherman, Jonathan Banks, James Keane, Tara King, Greta Blackburn.


Renato Cordeiro


A estréia de Eddie Murphy no cinema lembra um pouco a série de filmes iniciada por Um Tira da Pesada. Na verdade, o prisioneiro Reggie Hammond e o policial Axel Foley têm muito em comum, já que são o mesmo tipo malandro engraçado, cheio de lábia e de bom coração. A diferença é que Hammond tem a boca mais suja e não demora a lançar impropérios contra o truculento policial Jack Cates, vivido por Nick Nolte. O detetive precisa encontrar uma dupla de assassinos e acaba libertando temporariamente o ex-parceiro de um deles, Reggie Hammond, que roubou todo o dinheiro que conseguiram em um assalto à mão armada, anos antes.

A trama serve como desculpa para o filme explorar
as diferenças entre os protagonistas. Cates é um policial empenhado em combater o crime, mas ao mesmo tempo representa o arquétipo da polícia violenta, racista e que abusa do poder. Hammond é um vigarista, supostamente um vilão, mas prefere evitar a violência e é capaz de cometer atos nobres. 48 Horas segue a linha de filmes de duplas conflituosas que anos mais tarde daria origem a Máquina Mortífera. A química entre os protagonistas funciona, o que ajuda a manter algum interesse por um longa bem convencional.

L
amentavelmente, o filme peca pelos excessos. Os vilões são retratados como psicopatas típicos, iguais aqueles trocentos outros que o espectador já viu em dezenas de outros filmes. Há algumas cenas gratuitas e enfadonhas de pancadaria, inclusive entre os personagens principais. Não surpreende que o filme tenha sido recusado por vários atores. Antes de chegar a Nick Nolte, o papel do detetive foi oferecido a Clint Eastwood, Jeff Bridges e Mickey Rourke. Já Murphy foi escolhido depois de considerarem Gregory Hines e Richard Pryor, entre outros.


Nota: 6,0 (de dez)










sábado, 2 de abril de 2011

Estrelas de Ouro


Em algum lugar do mundo alguém pode dar bom dia, servir um copo d'água ou discutir amenidades com certas pessoas muito especiais. Gente que pode falar sobre o cinema com a propriedade de quem viveu a chamada Era de Ouro, ou que pelo menos, pôde acompanhá-la de perto. Imagine tomar um chá com Olivia de Havilland e perguntar sobre como foi fazer E O Vento Levou? Pedir que Max Von Sydow explique de onde ele tira tanta disposição para atuar? Ou fazer Clint Eastwood relembrar do momento em que foi dirigido por Sergio Leone pela primeira vez?
Pesquisando na net, dá pra perceber, por exemplo, que grandes documentários sobre Hitchcock ainda podem ser feitos, contando com várias atrizes e atores que estiveram sob comando do mestre do suspense. E o que dizer da atriz que foi a primeira a vencer duas vezes seguidas o Oscar, ainda na década de trinta? Pensando nisso, o BF preparou uma pequena lista de estrelas que estão no firmamento.







Luise Rainer, 101 anos.
Essa simpática senhora tem muita história pra contar sobre um tempo no qual o cinema era uma indústria mais glamourosa e os aspectos comerciais e artísticos eram menos conflitantes. A atriz nascida na Alemanha foi a primeira na história a ganhar o Oscar por duas vezes seguidas, em Ziegfeld, O criador de estrelas, de 1937, e Terra dos Deuses, de 1938.





Eli Wallach, 95 anos.
O "feio" do western Três Homens em Conflito já tem mais de cem filmes, incluindo Sete Homens e Um Destino, de 1960, e Boneca de Carne, de 1956, considerado um momento chave na carreira do ator. Ele se mantém em atividade e participou dos recentes O Escritor Fantasma, de Roman Polansi, e Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme, continuação do longa de 1987, de Oliver Stone.





Kirk Douglas, 94 anos.
O pai de Michael Douglas tem uma filmografia invejável, contando com duas obras dirigidas por Stanley Kubrick. Dessa parceria vieram Spartacus e Glória Feita de Sangue. Entre os épicos, vale citar Ulysses e Os Vikings, no qual divide a cena com Tony Curtis. Também produziu vários longas e até dirigiu dois, ambos do gênero western. Entre os outros destaques, vale citar A Montanha dos Sete Abutres, Assim Estava Escrito, e Fome de Viver, no qual interpreta Van Gogh.





Ernest Borgnine, 94 anos.
Borgnine é uma das boas razões para ver o recente Red - Aposentados e Perigosos. Apesar da participação pequena, esbanja carisma como um funcionário responsável por registros da CIA. Muita gente verá o longa sem saber que aquele é o mesmo ator de grandes clássicos como o faroeste Meu Ódio Será Tua Herança e o filme de guerra Os Doze Condenados.





Olivia de Havilland, 94 anos.
A estrela foi revelada em um dos maiores clássicos do cinema, E O Vento Levou, de Victor Fleming. Irmã de Joan Fontaine, participou ainda de obras como A Dama Enjaulada e O Intrépido General Custer, e conquistou o Oscar de Melhor Atriz por duas vezes, pela performance nos filmes Só Resta Uma Lágrima, de 1946, e Tarde Demais, de 1949.





Joan Fontaine, 93 anos.
Fontaine é a protagonista do clássico Rebecca, A Mulher Inesquecível, primeiro filme de Hitchcock a ter produção estadunidense. Um belo empurrão na carreira, o vencedor do Oscar de Melhor Filme em 1941 permitiu a ela contracenar com um dos monstros sagrados do cinema, Sir Laurence Olivier. No mesmo ano, a estrela repetiu a parceria com Hitchcock no longa Suspeita, que rendeu o Oscar de Melhor Atriz. Outros trabalhos de destaque incluem De Amor Também Se Morre e Suplício de Uma Alma, de Fritz Lang.





Christopher Lee, 89 anos.
O ator divide com Bela Lugosi o título de maior Drácula do cinema. O astro dos antigos filmes de horror da Hammer costuma interpretar vilões e foi até mesmo um dos inimigos de James Bond, em 007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro. Reencontrou o público jovem nos anos 2000, participando de duas das franquias de maior sucesso da década: a trilogia prequel de Star Wars, na qual faz o Conde Dooku, e O Senhor dos Anéis, onde vive o maligno mago Saruman. Presença confirmada em O Hobbit, novamente como o feiticeiro do mal.





Doris Day, 89 anos.
Outra atriz que atuou sob comando de Hitchcock, desta vez no remake que o próprio diretor fez para O Homem que Sabia Demais, em 1956. Mas ela é mais conhecida pela incursão em musicais, a exemplo de Ardida Como Pimenta, e várias comédias co-estreladas por Rock Hudson. Anda afastada das telonas há um bom tempo.





Eva Marie Saint, 87 anos.
Quem assistiu Superman Returns, de Bryan Singer, teve a grata surpresa de reencontrar a atriz de Uma Intriga Internacional, de Hitchcock. Eva Marie Saint fazia a mãe adotiva do Homem de Aço, Martha Kent. Entre os outros destaques da filmografia estão Sindicato dos Ladrões, com Marlon Brando, Exodus, com Paul Newman, e A Noite da Emboscada, com Gregory Peck.





Lauren Baccall, 86 anos.
Ser uma referência em elegância na Era de Ouro de Hollywood não é pra qualquer uma. Atriz de grandes sucessos como Uma Aventura na Martinica, À Beira do Abismo e Como Agarrar Um Milionário. Entre os trabalhos mais recentes estão dois filmes de Lars Von Trier: Dogville e a continuação Manderlay.





Sidney Poitier, 84 anos.
Quando Denzel Wahington concorreu ao prêmio de Melhor Ator, por Dia de Treinamento, recebeu a estatueta do primeiro negro a vencer na mesma categoria, em 1962, por Uma Voz nas Sombras. Protagonizou obras de destaque, como Adivinhe Quem Vem Para Jantar e Ao Mestre com Carinho. Está impagável em uma deliciosa aventura de espionagem, Quebra de Sigilo, ao lado de Robert Redford, David Strathairn, Dan Aykroyd e River Phoenix.




Vera Miles, 82 anos.
Entre os filmes de destaque de Vera Miles estão duas das maiores obras de John Ford: O Homem Que Matou o Facínora e Rastros de Ódio. Ela foi uma das atrizes que deram vida a personagens de Hitchcock, mas foi na morte de uma delas que entrou para a história do cinema, na famosa cena do assassinato em um chuveiro no filme Psicose. Outra parceria com o mestre do suspense aconteceu em O Homem Errado, no qual contracena com Henry Fonda. Anda afastada das câmeras. A foto acima é do começo dos anos 80.





Max Von Sydow, 82 anos.
O padre Merrin de O Exorcista é um dos maiores patrimônios da sétima arte. Ator sueco recorrente na filmografia de Bergman, com destaque para o papel principal de O Sétimo Selo, concilia sucessos de crítica e alguns blockbusters hollywoodianos. Podemos citar Quo Vadis, Minority Report, Ilha do Medo e Pelle, O Conquistador, que rendeu-lhe uma indicação ao Oscar de Melhor Ator.





Tippi Hedren, 81 anos.
A cleptomaníaca de Marnie - Confissões de uma Ladra é mais conhecida por outro filme de Hitchcock, Os Pássaros. A carreira inclui o último trabalho dirigido por Charles Chaplin, A Condessa de Hong Kong, estrelado por Marlon Brando e Sophia Loren. Mãe da atriz Melanie Griffith.





Christopher Plummer, 81 anos.
Um dos primeiros papéis de destaque do ator canadense foi como o Capitão Georg von Trapp de A Noviça Rebelde, de 1965. Ele não parece nem perto de se aposentar. A filmografia inclui vários papéis menores em filmes como Em Algum Lugar do Passado e Uma Mente Brilhante. Mas, recentemente, teve papéis centrais em trabalhos como O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus e A Última Estação, no qual vive o escritor Leon Tolstoy, além da dublagem de Up - Altas Aventuras.





Clint Eastwood, 80 anos.
A palavra "vinho" vem acompanhada de uma foto de Clint Eastwood na enciclopédia. Ser o ator da trilogia de faroestes iniciada com Por Um Punhado de Dólares, de Sergio Leone, já seria o suficiente pra estar na história do cinema, mas o Dirty Harry não parou por aí. Estrelou sucessos policiais e westerns e veio muito tempo depois a ser tornar um dos mais respeitados cineastas dos EUA, sem deixar de lado a carreira de ator - e até mesmo concilia as duas coisas, em obras como Menina de Ouro e Gran Torino. Por falar nisso, é incrível que alguém que já fez Bronco Billy possa rodar algo tão belo como As Pontes de Madison.






Sean Connery, 80 anos.
Infelizmente, o escocês se aposentou com uma péssima despedida das telas, o pavoroso A Liga Extreordinária. O jeito é ver e rever os outros trabalhos do maior dos intérpretes de James Bond, e o que tem a melhor filmografia não-associada ao personagem, incluindo Marnie - Confissões de Uma Ladra, de Hitchcock, Encontrando Forrester, de Van Sant, O Homem Que Queria Ser Rei, de John Huston, e Os Intocáveis, que rendeu o Oscar de Coadjuvante.





Robert Duvall, 80 anos.
Duvall já entrou no cinema com pé direito, em uma memorável participação no clássico O Sol É Para Todos. Participou de obras como Apocalipse Now e O Poderoso Chefão, ambos de Copola, Um Dia de Fúria, e protagonizou Pacto de Justiça, belo faroeste de Kevin Costner. A carreira inclui dois filmes como diretor.





Debbie Reynolds, 79 anos.
A atriz tem como o filme mais conhecido um dos maiores musicais da história do cinema, Cantando na Chuva, de 1952. Treze anos depois, teve indicações para o Oscar e para o Globo de Ouro pelo desemprenho em outro musical, A Inconquistável Molly Brown. Participou ainda do épico A Conquista do Oeste e é mãe de Carrie Fisher, a Princesa Lea da saga Star Wars.





Anita Ekberg, 79 anos.
A modelo sueca participou de clássicos de Hollywood como Guerra e Paz e alguns trabalhos mais populescos, como o western Os Quatro Heróis do Texas. Mas cravou o nome na história do cinema no filme A Doce Vida, de Fellini, ao se banhar nas águas da Fontana di Trevi, diante de um Marcello Mastroianni embasbacado.





Omar Shariff, 79 anos.
Eternizado no papel de Doutor Jivago, o ator egípcio é um dos preferidos de Hollywood para interpretar árabes. Participou do musical Funny Girl, Lawrence da Arábia e O 13º Guerreiro. Entre os últimos papéis de destaque, está Uma Amizade Sem Fronteiras, de 2003.





Peter O'Toole, 78 anos.
O eterno Lawrence da Arábia não parou de trabalhar e até voltou a experimentar o gosto de ser protagonista no drama Venus, de 2006. Na mesma década, dublou o crítico gastronômico Anton Ego na animação Ratatouille e fez uma divertida participação no simpático Stardust.





Kim Novak, 78 anos.
A mulher que fez James Stewart de gato e sapato em Um Corpo Que Cai, de Hitchcock, já havia chamado alguma atenção por filmes como O Homem do Braço de Ouro, de Preminger, e Meus Dois Carinhos, de George Sidney. A relação com os críticos nunca foi das mais amigáveis. Truffaut chegou a fazer comentários nada elogiosos na famosa série de entrevistas que fez com Hitchcock.





Sophia Loren, 76 anos.
Na modesta opinião deste blogueiro, a atriz divide o pódio com Anita Ekberg como a mais bela do cinema nos anos 60. Mas como beleza não é tudo, a italiana fez uma carreira bem-aceita pela crítica, com direito a um Oscar de Melhor Atriz por Duas Mulheres, de De Sica. Fez vários filmes com Marcello Mastroianni, constituindo um dos mais costumeiros pares românticos da telona, em obras como Os Girassóis da Rússia. Chamou atenção em 2009, interpretando a mãe de Daniel Day-Lewis em Nine.




Alain Delon, 75 anos.
O primeiro Tom Ripley do cinema deu as caras nas telonas em O Sol Por Testemunha, mais de 30 anos antes da versão protagonizada por Matt Damon. Delon tinha quase 25 anos e poucos filmes no currículo, mas entrou em uma curva ascendente, emendando obras como Rocco e Seus Irmãos e O Leopardo. Virou símbolo sexual de uma geração e deu nome até pra jogador de futebol do Esporte Clube Vitória.





Julie Andrews, 75 anos.
A babá que toda crianças queria ter. A eterna Noviça Rebelde tem sido uma companhia constante dos que curtem animação. É dela a voz da rainha nos quatro filmes de Shrek. Outros destaques incluem o igualmente clássico Mary Poppins e o suspense Cortina Rasgada, de Hitchcock.





Claudia Cardinale, 71 anos.
Uma das estrelas do monumental Era Uma Vez No Oeste, ao lado dos saudosos Charles Bronson, Henry Fonda e Jason Robards. Além do clássico do italiano Sergio Leone, inclui no currículo algumas das maiores obras do cinema italiano, a exemplo de O Leopardo, Oito e Meio e Vagas Estrelas de Urza. Em Fitzcarraldo, do alemão Herzog, contracenou com o incomentável Klaus Kinski.







domingo, 27 de março de 2011

A Noite dos Mortos-Vivos


A Noite dos Mortos-Vivos (Night of the Living Dead, EUA, 1968). Direção de George A. Romero. Com Duane Jones, Judith O'Dea, Karl Hardman, Marilyn Eastman, Keith Wayne, Judith Ridley, Kyra Schon.


Renato Cordeiro

Tem filme que envelhece mal. A primeira trilogia dos mortos, produzida por George A. Romero entre os anos 60 e 80, até despertava um certo grau de interesse, pelo ineditismo e as metáforas sociais, mas está longe de ser uma obra de grande qualidade. E se é verdade que o cineasta montou as bases dos filmes de mortos-vivos, também é preciso admitir que mesmo o seminal A Noite dos Mortos-Vivos perdeu uma parte do brilho. Me arrisco a dizer que o remake comandado por Tom Savini, em 1990, foi até necessário.

O filme tem méritos e motivos para ser considerado um clássico dos filmes de zumbi. Foi o primeiro a envolver os elementos típicos de uma produção do gênero. Na trama, mortos andam sobre a terra inexplicavelmente, obrigando um grupo de sobreviventes, desconhecidos uns dos outros, a lutar pela vida dentro de uma casa abandonada. Além de estarem cercados por uma terrível ameaça externa, terão conflitos entre eles mesmos.

Não é um esquema primoroso em criatividade: o faroeste No Tempo das Diligências, de John Ford, já mostrava uma situação parecida, 30 anos antes.
Em vez dos zumbis que devoram carne humana, John Wayne tinha de se virar contra índios, que como de costume, eram retratados como vilões carniceiros. Demoraria muito para aparecerem os chamados westerns revisionistas, que mostrariam que os peles-vermelhas não eram necessariamente uma corja sanguinária, assim como os exploradores brancos não eram todos um modelo de bravura e nobreza de espírito. É esta ousadia que marca o lugar de Noite dos Mortos-Vivos. O líder do grupo é um negro, e a história toda faz uma alusão ao macarthismo nos EUA: "aquelas pessoas que caminham em sua direção e se parecem com as pessoas que você amava estão tentando te matar".

Lamentavelmente, além da ousadia da trama, o filme não tem muito mais a oferecer do ponto de vista fílmico. Cortes bruscos, elipses irregulares, uma direção de atores que deixa passar algumas performances bem exageradas... Ao retomar os defuntos a partir de 2005, com o medíocre Terra dos Mortos, os aspectos técnicos estavam melhor resolvidos, mas as obras já não tinham muito o que dizer.
Assisti recentemente o último exemplar da franquia, Ilha dos Mortos, de 2009, e é pavoroso, no mau sentido do termo. Romero é cineasta limitado e não está mais à altura da própria criação, que já teve melhor tratamento de diretores como Zack Snyder, com seu Madrugada dos Mortos, e Danny Boyle, com Extermínio.

Nota: 6,0 (de dez)







sábado, 26 de março de 2011

WAZ - Matemática da Morte


Waz - Matemática da Morte (w Delta z, Reino Unido, 2007). Direção de Tom Shankland. Com Stellan Skarsgård, Melissa George, Tom Hardy, Selma Blair, Barbara Adair, Peter Ballance, Sally Hawkins.


Renato Cordeiro

Stellan Skarsgård é a melhor coisa de Waz. Não se se trata de um grande filme, é um típico suspense de serial killer, correto, com alguns bons momentos. Mas o protagonista é interessante e interpretado com desenvoltura por este ator sueco, que costuma dar as caras em Hollywood em papéis pequenos, em longas como Gênio Indomável, Piratas do Caribe e A Caçada ao Outubro Vermelho.

Skarsgård vive Eddie Argo, um detetive veterano, cansado e deprimido, às voltas com uma série de assassinatos de membros de uma gangue local. Todos são encontrados com sinais de tortura e uma fórmula inscrita nos corpos, e não demora para que a jovem parceira perceba que o policial sabe mais do que aparenta sobre o caso.

Desde os primeiros minutos em cena, Skarsgård, através de Argo, convida o espectador a uma incursão em meio a tipos perdidos e violentos. Eles recebem do detetive uma certa compaixão, inusitada para um policial, que vai fazendo mais sentido à medida que a trama se desenrola. Pena que o longa-metragem não ajude a despertar no público o mesmo grau de interesse por outros personagens. Mesmo a policial que acompanha Eddie pouco tem a oferecer, até como contraponto às nebulosas motivações do colega.

O espectador vai lembrar de obras como Jogos Mortais e Seven, mas sem o sadismo do primeiro nem a elegância do segundo. É um filme mais duro, seco e que se desdobra de maneira convencional, mas coerente.

Nota: 6,0 (de dez)






quarta-feira, 23 de março de 2011

Morre Elizabeth Taylor


Elizabeth Taylor
27 de fevereiro de 1932 — 23 de março de 2011

Menos uma integrante da Era de Ouro de Hollywood. E o mundo só faz piorar.